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Trump caminha para turbulenta saída de cena após eleições legislativas | GZH

GZH · Porto Alegre

03/11/2026 12:56 · Porto Alegre/RS

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Trump caminha para turbulenta saída de cena após eleições legislativas | GZH

O segundo mandato de Donald Trump tem sido uma montanha-russa, mas os últimos dois anos de seu governo podem ser ainda mais turbulentos caso os republicanos percam o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos.

De uma nova ofensiva militar contra o Irã a contestações eleitorais e retaliações diante de possíveis investigações dos democratas, Trump poderá adotar uma postura de ruptura em diversas frentes após as legislativas.

Analistas alertam que, nos pouco mais de dois anos que restam de seu mandato, o presidente poderá exibir sua versão mais vingativa.

"Não há nada na história que indique que ele vá dizer: 'Fui derrotado, meu tempo acabou'. Sempre que Trump se viu encurralado, ele elevou o tom e partiu para a briga", disse à AFP Peter Loge, diretor da Escola de Mídia e Assuntos Públicos da Universidade George Washington.

  • Vetos e vingança -

Trump sempre se verá como um lutador, postura que deixou claro que adotará caso os democratas conquistem uma ou as duas câmaras do Congresso.

"Se não vencermos, vetaremos tudo" da agenda legislativa democrata, disse Trump ao New York Post.

A Casa Branca afirma que também está preparada para reagir a qualquer investigação ou processo de impeachment que os democratas iniciarem.

"Provavelmente vão atrás de mim, e eu vou atrás deles", disse Trump em entrevista à revista Time.

Trump, que contestou sem fundamento sua derrota nas eleições presidenciais de 2020, também poderá interferir nas eleições legislativas ao contestar as apurações ou atrasar a certificação dos resultados.

A política externa é a única área em que os presidentes dos Estados Unidos mantêm amplos poderes mesmo após perderem o apoio legislativo nas eleições de meio de mandato.

Trump poderia retomar operações militares de grande escala contra o Irã, embora, na véspera das eleições legislativas, tenha sinalizado que novas negociações poderiam levar a um acordo.

"Não acho que ele queira que seu legado seja o de um belicista. Ele quer que seu legado seja o de alguém que deixou os Estados Unidos mais fortes", afirmou Ryan Hass, do Instituto Brookings, à AFP.

Uma possibilidade que vem ganhando força é a de Trump demitir o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, à medida que a guerra contra o Irã se prolonga. A medida seguiria um padrão recorrente de um presidente que costuma evitar assumir a responsabilidade por reveses.

  • Ucrânia, distensão e comércio -

O republicano gosta de se apresentar como um mestre dos acordos de paz e continuará pressionando a Ucrânia a aceitar um acordo com a Rússia. Novas conversas trilaterais estão previstas para a próxima semana.

Paralelamente, Trump continuará buscando uma distensão com líderes que considera seus pares no concerto das grandes potências, como o presidente chinês, Xi Jinping, e o russo, Vladimir Putin.

Os três poderão se reunir em uma cúpula na China no fim deste mês.

É provável que os Estados Unidos também mantenham seu afastamento de alguns aliados ocidentais e da Otan, podendo até acelerar esse movimento, afirmou Hass, do Instituto Brookings.

No comércio, porém, o republicano provavelmente continuará sendo "inflexivelmente ativo", como demonstra sua recente postura hostil em relação ao Canadá, acrescentou o especialista.

  • Relevante em 2028? -

Trump, que apresentou o famoso reality show "O Aprendiz", não gosta de ficar fora dos holofotes. É pouco provável que queira ver a atenção se voltar para possíveis sucessores na disputa pela Presidência em 2028.

O republicano tem se mostrado reticente em apoiar tanto o vice-presidente, JD Vance, quanto o secretário de Estado, Marco Rubio, como candidato republicano.

No entanto, em grande medida, deixou de insinuar que poderia disputar um terceiro mandato, o que é proibido pela Constituição.

Sem dúvida, "ele vai manter o foco em si mesmo", prevê Allan Lichtman, professor da American University.

  • Monumentos pessoais -

Em seu discurso de encerramento da campanha para as eleições legislativas, Trump pouco abordou as políticas de seu governo e falou mais sobre a reforma do espelho d'água do Memorial Lincoln e outros projetos para embelezar Washington.

O presidente expressou abertamente o desejo de deixar sua própria marca na paisagem da capital americana.

"Temos muitos grandes projetos previstos para Washington", disse na segunda-feira (2), ao lado do espelho d'água.

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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