Rio Grande do Sul além da Serra Gaúcha: dicas de passeios em cada região
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Gramado e Canela são incríveis, mas o Rio Grande do Sul tem muito mais a oferecer. Das Missões Jesuíticas ao Pampa infinito, do Litoral às canyons do Sul - cada região do estado é um destino por si só.
Quando alguém pensa em turismo no Rio Grande do Sul, Gramado aparece imediatamente. E com razão - a Serra Gaúcha é de fato extraordinária. Mas o RS é um dos estados mais diversos do Brasil em paisagens, culturas e atrativos, e a maioria dos viajantes nem chega a conhecer metade do que ele oferece.
Do extremo noroeste, onde as Ruínas Jesuíticas rivalizam com qualquer patrimônio histórico do país, até o Pampa do sudoeste que parece uma savana sul-americana; das praias do Litoral Norte às canyons rochosas do Sul - preparamos um guia por regiões para você explorar o Rio Grande do Sul de verdade.
Regiões neste guia
Missões Jesuíticas
São Miguel das Missões, Santo Angelo, São Borja e região
As Ruínas de São Miguel das Missões são Patrimônio Mundial da UNESCO e provavelmente o sítio histórico mais impressionante do Brasil. Construídas pelos jesuítas espanhóis com os índios Guaranis entre os séculos XVII e XVIII, as ruínas da Igreja de São Miguel são majestosas mesmo após séculos.
O Espetáculo de Som e Luz que acontece ao anoitecer nas ruínas é uma das experiências mais marcantes do turismo gaúcho - as projeções sobre a pedra contam a história das reduções com uma emoção que poucos shows conseguem.
O que fazer na região:
Dica: fique pelo menos 2 noites para combinar os sítios e o espetáculo. A cidade base mais indicada é Santo Angelo (30 km das ruínas, mais infraestrutura) ou a própria São Miguel das Missões (pousadas pertinho das ruínas).
Litoral Norte e Sul
Torres, Tramandaí, Capão da Canoa, Mostardas, Tavares
O litoral gaúcho é diferente do que a maioria imagina. No Litoral Norte, Torres se destaca pelas famosas falésias basálticas que dão ao lugar um visual único no Brasil - não é o Nordeste, é uma praia com pedras vulcânicas e mar agitado que lembra o litoral europeu.
Ao sul, a Lagoa dos Patos e a Área de Proteção da Lagoa do Peixe formam um dos maiores corredores de migração de aves do mundo. Mostardas e Tavares são portas de entrada para dunas, lagoas e paisagens que parecem de outro planeta.
O que fazer na região:
Dica: Torres é excelente de novembro a fevereiro. Para Lagoa do Peixe, a melhor época é agosto-outubro, quando flamingos e outras aves migrantes estão presentes.
Pampa e Campanha Gaúcha
Bagé, Santana do Livramento, Dom Pedrito, Uruguaiana
O Pampa gaúcho é uma das paisagens mais subestimadas do Brasil. Campos infinitos, estâncias centenárias, tradição gaúcha em estado puro e a fronteira com o Uruguai e a Argentina que cria uma cultura única. Aqui o chimarrão é lei e o churrasco é religião.
A Campanha Gaúcha tem uma cena de vinhos que cresce rapidamente - diferente dos vinhos coloniais da Serra, aqui as vinícolas produzem vinhos finos com castas internacionais em clima de altitude de campo. Dom Pedrito e Bagé são os principais polos da vitivinicultura do Pampa.
O que fazer na região:
Dica: a primavera (set-nov) é a melhor época - campos floridos de amarelo pela floração dos espinilhos, e clima ameno. No verão o calor pode ser intenso.
Serra do Sudeste e Canyons
Cambará do Sul, Praia Grande, Pedras Altas, Caçapava do Sul
Os canyons do sul do Brasil são um dos segredos mais bem guardados do turismo nacional. O Canyon Itaimbezinho, no Parque Nacional dos Aparados da Serra, tem paredes de 700 metros e é considerado um dos mais belos do mundo. Cambará do Sul é a porta de entrada - uma cidade de interior que tem tudo para receber trekkers e aventureiros.
Na Serra do Sudeste, Caçapava do Sul e Pedras Altas revelam paisagens surpreendentes: cerros graníticos, lajeados e campos que lembram a Chapada dos Veadeiros. A Mina do Camaquã em Caçapava do Sul é um patrimônio mineiro que pode ser visitado.
O que fazer na região:
Dica: o Itaimbezinho exige agendamento prévio no ICMBio. Leve roupa quente o ano todo - Cambará do Sul é fria mesmo no verão. Inverno com neve ocasional é possível.
Noroeste Gaúcho
Frederico Westphalen, Ametista do Sul, Iraí, Três Passos, Ijuí
O Noroeste Gaúcho é a região menos conhecida pelos turistas e talvez a mais surpreendente. Ametista do Sul é a Capital Mundial da Ametista - um título que não é marketing: as minas subterrâneas da cidade guardam geodas de ametista entre as maiores do mundo. Visitar uma mina e sair carregando uma pedra é uma experiência única.
Em Iraí, as águas termais medicinais foram descobertas antes mesmo da colonização europeia - os Guaranis já sabiam de suas propriedades. A Catedral das Águas e o parque termal são pontos que unem saúde e história. E a Cachoeira do Yucumã, em Derrubadas, tem a maior queda d'água lateral contínua do mundo.
O que fazer na região:
Dica: combine Ametista do Sul + Iraí + Yucumã em um roteiro de 3 dias. São cidades próximas e cada uma tem uma proposta completamente diferente.
Região Central
Santa Maria, São Gabriel, Cachoeira do Sul, Restinga Sêca
Santa Maria, a cidade universitária no coração do RS, é ponto de partida para muitos roteiros. A cidade tem patrimônio arquitetônico notável, uma vida cultural vibrante graças à UFSM e à UNIFRA, e está localizada de forma estratégica entre o Pampa, a Serra e o Litoral.
Ao sul de Santa Maria, a Quarta Colônia (Agudo, Ivorá, Silveira Martins) preserva uma das identidades culturais italianas mais autenticas do RS, com cantinas, gastronomia colonial e paisagens de morro que competem com a Serra Gaúcha.
O que fazer na região:
Fronteira Oeste
Uruguaiana, Quaraí, Barra do Quaraí, São Borja, Itaqui
A Fronteira Oeste é onde o Brasil, a Argentina e o Uruguai se encontram. Em Barra do Quaraí, as águas do Rio Uruguai e do Rio Quaraí se juntam, criando uma tríplice fronteira cercada pelo Parque Estadual do Espinilho - único ecossistema de espinilhais do Brasil, com plantas que só existem no Pampa.
Uruguaiana é a maior cidade da fronteira, com comércio intenso com a Argentina (Paso de los Libres fica do outro lado da ponte). São Borja, terra natal de Getúlio Vargas e João Goulart, tem um acervo histórico e político único.
O que fazer na região:
Vales do Taquari e Rio Pardo
Lajeado, Estrela, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires
Os vales gaúchos formados pelos rios Taquari e Pardo concentram uma das identidades alemãs mais preservadas do Brasil. Santa Cruz do Sul é a capital nacional do tabaco e tem um charme colonial alemão que ainda resiste ao tempo. Setembro é época do Festival do Fumeiro, uma das maiores festas populares do RS.
Lajeado e Estrela, no Vale do Taquari, têm boa infraestrutura e são pontos de partida para rotas rurais com pesque-pague, venda de coloniais e paisagens de rio. A região produziu o movimento artístico Artistas das Missões e tem um patrimônio cultural rico.
O que fazer na região:
Qual região combina com você?
Historia e patrimônio
Missões Jesuíticas - nenhum outro lugar do Brasil tem algo assim
Aventura e natureza
Canyons de Cambará do Sul - trekking e cenários de filme
Gastronomia e vinhos
Campanha Gaúcha - vinhos finos do Pampa em estâncias
Descanso e saúde
Noroeste Gaúcho - águas termais de Iraí e arredores
Cultura e tradição
Fronteira Oeste e Pampa - gaúcho real, sem turismo forçado
Praia e natureza
Torres e Litoral Norte - falésias únicas e mar agitado
O RS que poucos conhecem
O Rio Grande do Sul tem uma diversidade que poucos estados brasileiros conseguem igualar. Em menos de 8 horas de carro você consegue sair de uma paisagem europeia de serra e chegar ao Pampa que parece a Patagônia, ao litoral atlântico, a ruínas jesuíticas ou a uma fronteira internacional.
A Serra Gaúcha merece toda a fama. Mas se você já conhece Gramado, Bento e Garibaldi, é hora de explorar o resto. O RS vai surpreender.