Pressione Esc para fechar

← Voltar às notícias dos jornais
Destaques

Quando os juros voltarão a cair? Entenda o que pode influenciar as próximas decisões do Copom | GZH

GZH · Porto Alegre

05/11/2026 04:00 · Porto Alegre/RS

Aguardando verificaçãoApoio factual sem índice

Jornal ainda sem índice

A ausência de índice não significa que a notícia seja falsa ou verdadeira.

Verificação automática será iniciada ao abrir esta reportagem.

Quando os juros voltarão a cair? Entenda o que pode influenciar as próximas decisões do Copom | GZH

Diante de incertezas sobre os rumos da política fiscal, Banco Central decidiu na quarta-feira (4) manter a taxa Selic em 13,75% 

Na primeira reunião após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato como presidente da República, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu interromper, nessa quarta-feira (4), a sequência de cortes no juro básico do país, mantendo a Selic em 13,75% ao ano. Agora, cresce a apreensão sobre quando o órgão vai retomar a política de redução da taxa e e quais fatores pesarão nessa decisão.

Especialistas e analistas de mercado avaliam que, com a decisão, o colegiado entra em compasso de espera, à procura de sinais mais claros sobre a futura política fiscal do país e os desdobramentos do cenário internacional, marcado por conflitos geopolíticos e tensões comerciais. Esses são alguns dos fatores que tendem a colocar pressão na inflação, para o bem ou para o mal, moldando a postura dos responsáveis pela política monetária do país.

Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), avalia que a decisão do BC “joga no empate” enquanto aguarda a redução das incertezas políticas e econômicas.

Leia Mais

Copom decide pela manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano

— Isso ocorre por conta do ambiente econômico conturbado pós-eleição. Tem um cenário com juros futuros se descolando, também existe uma desconfiança se o governo vai conseguir reduzir a questão do crescimento da dívida pública e conter gastos. Então, por conta disso, o Banco Central deve esperar que o governo sinalize o que vai fazer com a questão fiscal para depois tomar uma medida — explica Oliveira.

Na decisão desta quarta, o órgão citou um cenário mais adverso para o controle da inflação, mencionou riscos fiscais e dificuldades no cenário externo, mas não deu pistas sobre a postura que deve adotar nas próximas reuniões

Mudança de rota depende de ajuste fiscal, diz analista

Especialistas avaliam que, nas próximas decisões sobre a política monetária, o Copom deverá manter o foco na inflação e em seus repasses. Além disso, vai acompanhar de perto a situação fiscal doméstica.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, avalia que o Banco Central envia um recado para o governo sobre a necessidade de adotar uma postura que reduza as expectativas futuras de inflação e retome a credibilidade dos agentes financeiros.

Isso passa obrigatoriamente por indicar um nome forte no Ministério da Fazenda e por apresentar um plano crível e consistente de ajuste fiscal.

Economista-chefe da Austin Rating.

Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, também destaca a necessidade de uma mudança no campo fiscal para uma nova desidratação do juro:

— Na ausência de um ajuste fiscal relevante por parte do governo, a Selic não deve sofrer cortes adicionais nas próximas reuniões.

Na nota que acompanha a decisão, o Copom destacou que a piora das expectativas de inflação e o aumento das incertezas fiscais exigem essa postura mais cautelosa em relação ao juro. Ou seja, são fatores que indicam uma deterioração do quadro econômico e fiscal e podem exigir a manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo.

“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se adicionalmente em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente”, destaca o comunicado.

O diretor-executivo da Anefac afirma que o BC também seguirá avaliando a capacidade do governo de interromper a trajetória de alta da dívida pública:

— O problema não é tanto reduzir a dívida pública, mas sim estancar a trajetória de alta que nós vemos. Viemos de um processo de elevação do endividamento público. Então, o primeiro passo é estancar para depois pensar nos superávits.

Quem pode ser o próximo ministro da Fazenda de Lula? Veja os nomes cotados e o que o mercado espera do escolhido

Tarifaço e guerra no radar do BC

No campo externo, a evolução das políticas tarifárias dos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio também devem permanecer no radar da autoridade monetária. As tensões internacionais podem afetar os preços de commodities, especialmente o petróleo, e provocar oscilações no câmbio, com reflexos sobre os custos de produtos e insumos importados. Na nota desta quarta, o Copom destacou que o cenário externo piorou em razão do prolongamento de conflitos no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo.

O Banco Central vai estar atento à questão das guerras e das tarifas nos EUA. Ver se o novo Congresso, que assume no ano que vem, vai tirar um pouco o peso do Trump com relação às tarifas. Mas vai estar atento principalmente à questão da guerra com relação ao preço dos combustíveis.

Diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Para Alex Agostini, no entanto, o cenário doméstico e possíveis desdobramentos nos campos econômico e fiscal terão peso maior nas próximas análises do BC em comparação com o ambiente internacional.

Como Lula pode acalmar o mercado após a queda da Bolsa e a disparada do dólar? Veja medidas apontadas por economistas

Parada técnica já era esperada

O economista-chefe da Austin Rating estima que o juro deve permanecer em 13,75% até março do ano que vem. Essa parada técnica adotada pelo BC, segundo Agostini, já era esperada para permitir que a economia absorvesse os efeitos do ciclo restritivo e que os indicadores pudessem ser avaliados com clareza.

No entanto, esse período de análise ganha ingredientes novos.

— Já era esperado que agora seria o último corte, se ocorresse. Não ocorreu. Então, ok. Ele (BC) vai manter essa parada técnica, só que, agora, com ingredientes a mais, que é o cenário turbulento domesticamente.

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

Continue explorando

Publicidade paga