ONU alerta para El Niño "sem precedentes"; fenômeno tende a elevar o volume de chuva e o risco de cheias no sul do Brasil | GZH
21/10/2026 12:45 · Porto Alegre/RS
Jornal ainda sem índice
A ausência de índice não significa que a notícia seja falsa ou verdadeira.
Verificação automática será iniciada ao abrir esta reportagem.

Pico de intensidade é esperado para o final de 2026, mas os impactos deverão se estender por muito tempo. Estudos apontam que a temperatura da superfície do mar fique 3,8°C acima da média entre novembro e janeiro
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu na quarta-feira (21) a adoção de medidas antecipadas e coordenadas para proteger as populações mais vulneráveis ao fenômeno climático El Niño. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o evento pode atingir uma intensidade "sem precedentes", superando as escalas tradicionais de monitoramento com temperaturas até 3,8°C acima da média.
— Não podemos impedir o El Niño, mas podemos prevenir muitas de suas consequências humanas mais graves — declarou em Genebra a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
O apelo foi feito em conjunto com o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher.
Força destrutiva
Para Fletcher, o episódio atual configura uma "força destrutiva colossal" que vai atingir em cheio a América Latina, a África Oriental e Austral, a Ásia e a região do Pacífico.
Impacto no Brasil e no Estado
Leia Mais
O que é o El Niño e por que o fenômeno preocupa tanto?
O que fazer para proteger a próxima safra do El Niño
A ocorrência desse fenômeno tende a elevar o volume de chuva e o risco de cheias no sul do Brasil. Vários episódios de tempo severo registrados recentemente entre o Rio Grande do Sul e o Paraná, como tornados e chuvas torrenciais e persistentes, já foram relacionadas por especialistas à alteração de temperatura no Pacífico.
Nas regiões Norte e Nordeste, a ocorrência do fenômeno causa períodos de estiagem. Isso reduz os níveis dos rios e aumenta a chance de incêndios florestais.
O pico de intensidade é esperado para o final de 2026, mas os impactos deverão se estender por muito tempo.
Resposta financeira e prevenção antecipada
Diante do cenário crítico, a ONU anunciou a mobilização de mais de US$ 50 milhões (cerca de R$ 250,6 milhões) por meio do Fundo Central de Resposta a Emergências (Ocha). O montante será direcionado a 11 países em situação de extrema vulnerabilidade, incluindo:
América Central: ajuda imediata para preservação dos meios de subsistência.
África (Somália, Etiópia e Quênia): recursos e suprimentos enviados antes da chegada das chuvas fortes.
África Austral: distribuição de sementes e proteção de rebanhos antes do fim do período de plantio.
Ásia e Pacífico: preparação antecipada contra secas, inundações e ciclones.
Fletcher reforçou o apelo para que governos, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras liberem verbas preventivas antes que os danos estruturais ocorram.
Superando limites históricos
O El Niño é um fenômeno natural recorrente caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do centro e do leste do Pacífico equatorial. Contudo, os especialistas apontam que o patamar atual rompe padrões históricos.
Governo federal anuncia liberação de R$ 64 milhões para amenizar efeitos do El Niño
Por que o RS tem dias frios em plena primavera mesmo sob efeito do El Niño?
Em sua avaliação mais recente, a OMM prevê que a temperatura da superfície do mar no Pacífico fique 3,8°C acima da média entre novembro e janeiro.
— Nunca registramos um valor de 3,8ºC no passado. Durante alguns episódios de El Niño particularmente intensos, observamos valores próximos de 3°C, que tiveram repercussões muito significativas em escala mundial — explicou Saulo.
O fenômeno se soma às mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas, que já intensificam os eventos meteorológicos extremos.
— Neste caso, "estamos saindo dos limites de nossos registros e estatísticas habituais sobre o que podemos esperar — advertiu.
Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗