Minha Melhor Amiga destrona Ainda Estou Aqui no ranking de bilheteria pós-pandemia | GZH
21/10/2026 14:28 · Porto Alegre/RS
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Ingrid Guimarães e Mônica Martelli protagonizam "Minha Melhor Amiga" (2026), de Susana Garcia, que já levou 5,84 milhões de espectadores aos cinemas
Em menos de sete semanas de exibição, Minha Melhor Amiga (2026) levou 5,84 milhões de espectadores aos cinemas e ultrapassou a marca de 5,83 milhões de Ainda Estou Aqui (2024), que, sob o impulso do Oscar de melhor filme internacional e do Globo de Ouro de melhor atriz em drama (para Fernanda Torres), ficou 21 semanas em cartaz.
No final de setembro, Minha Melhor Amiga já havia se tornado a comédia brasileira mais vista após a pandemia de covid-19. ao superar os 4,35 milhões de ingressos vendidos por O Auto da Compadecida 2 (2024). Agora, passa a ser o campeão de público entre as produções nacionais lançadas após o período de isolamento. Entre os títulos dos anos 2000, é o oitavo colocado no ranking.
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Não é difícil explicar o sucesso de público do filme, que segue com sessões em Porto Alegre. Para começar, Minha Melhor Amiga reúne um time dos sonhos da comédia brasileira.
A diretora Susana Garcia é a mesma de Minha Mãe É uma Peça 3 (2019), maior bilheteria nacional do gênero, com 11,6 milhões de espectadores, e de Minha Vida em Marte (2018), que teve 5,3 milhões de ingressos vendidos. Também dirigiu Minha Irmã e Eu (2023), um dos títulos brasileiros mais vistos dos últimos anos.
Reunidas pela primeira vez em um filme, as protagonistas são Ingrid Guimarães, que estrelou a trilogia De Pernas pro Ar (2010, 2012 e 2013), Fala Sério, Mãe! (2017) e Minha Irmã e Eu, e Mônica Martelli, atriz de Os Homens São de Marte... e É pra Lá que Eu Vou (2014) e de Minha Vida em Marte.
Mas o que mais me pegou ao assistir a Minha Melhor Amiga não foram as piadas: foram os dramas das duas personagens principais.
Ingrid interpreta Clara, e Mônica faz o papel de Júlia. Ambas estão na casa dos 50 anos e são amigas há muito tempo — e o filme aproveita a amizade da vida real entre as duas atrizes para apresentar um querido álbum de fotos na sua abertura.
Ambas encaram frustrações — amorosas no caso de Clara, profissionais no caso de Júlia. A primeira, que é corretora de imóveis, vê o casamento com o músico Marcos (Gustavo Machado) ser subjugado pela rotina e pelo tédio — ela diz que não aguenta mais ouvir o marido fazendo blem-blem. A segunda, solteira e aparentemente sem mais fé no amor, vê uma repórter mais jovem assumir seu posto no trabalho.
Ambas também precisam lidar com a síndrome do ninho vazio. A filha adolescente de Clara, Isadora (a estreante Gabi Amaral), e a filha adolescente de Júlia, Manu (Giulia Benite, a Mônica de Laços, de Lições e da série de TV), partiram para um intercâmbio em Portugal.
Em crise e com saudade, as duas amigas acabam viajando para a Europa. Lá, rolam imprevistos, confusões, paqueras etc. Há cenas engraçadas por causa da improvisação ou por causa da intimidade sem filtros — jamais imaginei que veria neste filme uma piada sobre “jato de mijo”.
Por trás de perrengues e mal-entendidos que têm caráter cômico e que são previsíveis, corre um drama genuíno sobre autoconhecimento e redescoberta, sobre as vicissitudes do amor e da sexualidade, sobre sinceridade e cumplicidade entre amigas e entre mães e filhas.
São tocantes as cenas a sós entre Clara e Isadora e, principalmente, entre Júlia e Manu, por conta da carismática autenticidade de Giulia Benite. Em alguns momentos, Minha Melhor Amiga pode até deixar um travo amargo na boca do espectador por empregar o humor para falar sobre coisas sérias, como quando a personagem de Ingrid Guimarães define a sua relação com Marcos como a de um “casal PJ”: não são mais marido e esposa, mas sócios na criação dos filhos.
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