Derrota de Trump, "tsunami democrata" e brasileiros eleitos: veja os destaques das eleições de meio de mandato nos EUA | GZH
04/11/2026 18:53 · Porto Alegre/RS
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Oposição conquistou maioria na Câmara, no Senado e nos governadores estaduais, inclusive em redutos republicanos
Confirmando as projeções, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos consolidaram um "tsunami democrata". Mesmo com a apuração ainda em andamento, o partido já garantiu maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, além de ter conquistado a maioria dos governos estaduais que estavam em disputa, em uma derrota acachapante para o presidente Donald Trump.
Após a vitória arrasadora de Trump em 2024, os democratas, embalados pela insatisfação com o aumento no custo de vida no país, viraram o jogo em diversas regiões, incluindo alguns históricos redutos republicanos.
Confira nesta reportagem:
Como ficou a Câmara dos Representantes
Como ficou o Senado
Como ficaram os governos estaduais
Os principais nomes que despontaram nas urnas
Quem são os brasileiros eleitos
A reação de Trump
Obama, Irã, Rússia: outras repercussões pelo mundo
Rejeição a Trump, custo de vida, latinos: o que explica o resultado
Leia Mais
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Os democratas reverteram a maioria republicana e garantiram o controle da Câmara dos Representantes, onde todas as 435 cadeiras estavam em disputa. O órgão é equivalente à Câmara dos Deputados brasileira.
Até às 19h, os democratas haviam garantido 237 cadeiras (19 a mais do que o necessário para ter maioria), enquanto os republicanos haviam garantido 139. Outras 59 vagas ainda estavam indefinidas.
Os opositores de Trump conquistaram diversos distritos que haviam dado vantagem expressiva ao republicano em 2024, em Estados como Ohio, Texas, Wisconsin, Nova Jersey e Nova York.
Diante da derrota, o líder da bancada republicana na Câmara, Mike Johnson, afirmou que deixará a função.
Os democratas também conquistaram o controle do Senado, onde 35 das cem cadeiras estavam em disputa.
Até às 19h, os democratas haviam garantido 54 cadeiras (três a mais do que o necessário para ter maioria), enquanto os republicanos haviam assegurado 44. Até então, o partido de Donald Trump detinha a maioria, com 53 cadeiras na Casa.
Em dois Estados, Alasca e Mississipi, a apuração ainda estava em andamento.
Os republicanos ainda perderam alguns redutos históricos, como o Texas, onde os democratas venceram a corrida para o Senado pela primeira vez em quase quatro décadas. O mesmo ocorreu no Kansas, outro bastião republicano, onde os democratas não venciam desde 1932. Outros Estados de tendência republicana, como Carolina do Sul, Ohio e Iowa, também viraram de lado.
A derrota de candidatos que receberam apoio expresso (e, em alguns casos, financeiro) de Trump também evidenciou o desgaste do atual presidente. É o caso de Ken Paxton, derrotado no Texas, e Darline Graham, que perdeu na Carolina do Sul.
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Como ficaram os governos estaduais
A onda azul também chegou aos governos estaduais. Estavam em disputa as cadeiras de governador de 36 dos 50 Estados.
Até às 19h, os democratas haviam garantido o comando de 28 Estados, incluindo cinco que até então eram controlados pelos republicanos: Nevada, Texas, Iowa, Ohio e Geórgia.
Os democratas obtiveram feitos históricos, como no caso do Texas, um reduto republicano, onde Gina Hinojosa derrotou o proeminente governador Greg Abbott, aliado próximo de Trump, e será a primeira mulher latina a governar o Estado.
Outros destaques incluem Keisha Lance Bottoms, que venceu na Geórgia e será a primeira mulher negra a governar um Estado, e Deb Haaland, eleita no Novo México e que será a primeira governadora indígena do país.
Já os republicanos haviam assegurado 20 Estados, incluindo alguns redutos sólidos, como Wyoming e Dakota do Sul. Em alguns, no entanto, as vitórias foram apertadas, como no Alabama (52% a 48%).
Um dos destaques foi Byron Donalds, que, em contraste com a onda democrata, tornou-se o primeiro governador negro da Flórida. A vitória, porém, também foi por margem pequena (50% a 48,7%).
Em dois Estados, a apuração ainda estava em andamento.
Confira o cenário
Democratas: Oregon, Califórnia, Nevada, Arizona, Novo México, Colorado, Texas, Iowa, Minnesota, Michigan, Wisconsin, Illinois, Ohio, Geórgia, Maryland, Pensilvânia, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Maine, Havaí e Rhode Island.
Republicanos: Idaho, Wyoming, Dakota do Sul, Nebraska, Oklahoma, Arkansas, Tennessee, Alabama, Flórida, Carolina do Sul, Vermont e New Hampshire.
Indefinidos: Alasca e Kansas.
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Abdul El-Sayed (Democrata)
Aos 42 anos, conquistou uma cadeira no Senado e se tornou o primeiro muçulmano eleito para a câmara alta do Congresso nas eleições de meio de mandato. Integrante da ala esquerdista do Partido Democrata, será também o primeiro médico democrata no Senado desde 1969. Mobilizou os eleitores com pautas como atendimento médico universal.
James Talarico (Democrata)
Aos 37 anos, encerrou uma sequência de quase quatro décadas sem que o Partido Democrata elegesse um representante do Texas para o Senado. Crítico da influência de grandes doadores e empresas sobre a política americana, identifica-se como cristão progressista. Suas declarações sobre fé e política ganharam projeção durante a campanha, em um Estado de forte tradição conservadora e religiosa.
Byron Donalds (Republicano)
Elegeu-se governador da Flórida ao derrotar o democrata David Jolly em uma disputa descrita como mais competitiva do que o esperado. Aliado de Trump, sucederá Ron DeSantis e se tornará o primeiro governador negro do Estado e o primeiro negro republicano eleito governador no país.
Chris Pappas (Democrata)
Aos 46 anos, foi eleito senador por New Hampshire e será o primeiro homem abertamente gay a conquistar uma cadeira na Casa.
Jon Ossoff (Democrata)
Apontado como um possível candidato a presidente em 2028, reelegeu-se para o Senado pela Geórgia. Era o único senador democrata em busca de um novo mandato em um Estado vencido por Donald Trump em 2024, e a manutenção da cadeira era considerada crucial para as chances do partido de disputar o controle do Senado. Sua campanha ganhou projeção nacional pelas críticas diretas a Trump.
Peggy Flanagan (Democrata)
Vice-governadora de Minnesota e integrante da Nação White Earth Ojibwe, será a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Senado.
Keisha Lance Bottoms (Democrata)
Eleita governadora da Geórgia, será a primeira mulher negra a alcançar um cargo desse nível nos Estados Unidos. A ex-prefeita de Atlanta derrotou o bilionário executivo do setor de saúde Rick Jackson, uma vitória que devolve o governo estadual aos democratas após mais de duas décadas de controle republicano.
Deb Haaland (Democrata)
A democrata venceu o republicano Gregg Hull e conquistou o governo do Novo México, tornando-se a primeira mulher indígena americana a alcançar um cargo executivo regional.
Gina Hinojosa (Democrata)
Derrotou o republicano Greg Abbott, que buscava a reeleição, e será a primeira mulher latina a governar o Texas.
Xavier Becerra (Democrata)
Tornou-se o primeiro latino a conquistar o governo da Flórida após superar o republicano Steve Hilton.
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Sete brasileiros foram eleitos nas midterms americanas.
Desses, quatro serão deputados estaduais em Massachussets, Estado que abriga a segunda maior comunidade brasileira dos EUA:
Priscila Sousa, 38 anos, natural de Ipatinga (MG), mudou-se para os EUA aos sete anos. É formada em Ciência Política, Relações Internacionais e Inglês. Já estava no cargo e foi reeleita.
Rita Mendes, 42 anos, natural de Conselheiro Pena (MG). É advogada e corretora de imóveis e vive nos EUA desde os 12 anos. Já estava no cargo e foi reeleita.
Danillo Sena, natural de Timbaúba (PE), emigrou para os EUA em 2001, aos 14 anos. É ex-beneficiário do Daca, programa criado durante o governo de Barack Obama que oferece proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a imigrantes que atendem a determinados critérios. Já estava no cargo e foi reeleito.
Lorena Betts, natural de Mato Grosso. Vive nos EUA desde 2011. Até então, atuava como enfermeira em Holambra (SP). Em território americano, estudou Ciência Política e participou de atividades comunitárias voltadas a imigrantes.
Outro que saiu vitorioso das urnas é Felipe Sousa-Lazaballet, 40 anos, natural de Duque de Caxias (RJ). Ativista de organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBT+, ele chegou aos EUA aos 26 anos e será o primeiro brasileiro a ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa da Flórida. Também é ex-beneficiário do Daca.
Em Connecticut, Farley Santos, que vive nos EUA desde 2007, foi reeleito para a Assembleia Legislativa estadual. Já em Nevada, foi reeleita Elaine Marzola, natural do Rio de Janeiro e residente nos EUA desde 1984.
Após passar semanas indicando que não aceitaria uma eventual derrota, Trump se disse "absolutamente disposto a aceitar" o resultado das urnas. Em declarações ao longo da quarta-feira (4), ele fez elogios aos opositores democratas e reconheceu o impacto da elevação nos preços dos combustíveis no desempenho dos republicanos.
Acho que os democratas fizeram um bom trabalho, realmente acho.
Presidente, em entrevista ao canal Fox News.
Trump disse ainda que pode "trabalhar com os democratas em muitas coisas".
Por outro lado, Trump sinalizou que pretende vetar projetos de lei encaminhados por democratas.
— Eles mandam coisas absurdas, e eu veto. E depois de alguns meses de vetos, eles ligam e perguntam: "Como podemos fazer isso acontecer?" E aí trabalhamos juntos — alegou.
Ainda durante a madrugada, Trump postou em uma rede social a imagem de um boné com a palavra "veto".
Mais tarde, Trump afirmou, durante entrevista coletiva, que atribui a derrota à guerra no Irã:
— Acho que isso é, em grande parte, verdade, porque fez o preço da gasolina subir um pouco a curto prazo.
— Mas, ao mesmo tempo, se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu teria que fazer, porque, a longo prazo, essa é a única solução. Não se pode permitir que o Irã tenha uma arma nuclear — acrescentou.
Em uma rede social, o vice-presidente JD Vance também atribuiu a derrota à operação no Oriente Médio. "A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio presidente disse isso na noite passada. Se você gostaria de argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos 6 anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um custo válido a pagar. Concorde ou discorde, isso é pelo menos honesto", escreveu.
Outras repercussões
"Mensagem clara", diz Obama
O ex-presidente dos EUA Barack Obama afirmou que a população americana "enviou uma mensagem clara". "Eles querem uma política que una as pessoas, em vez de dividi-las, e líderes que ofereçam soluções concretas para os desafios que enfrentam", disse o líder democrata, em comunicado.
"Aconteceu no Brasil", afirma premier da Espanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou, em uma rede social, que o povo americano "votou contra políticas que só servem para empobrecer as pessoas". Sánchez ainda fez menção à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 5: “Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha.” O país terá eleições no dia 29 de novembro.
“Americanos disseram não à guerra", alega presidente do parlamento do Irã
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que a derrota de Trump indica uma rejeição dos americanos à guerra no Oriente Médio. “Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem”, escreveu em rede social.
Rússia: "Abordagem democrata é fortemente negativa"
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou que a abordagem da liderança do Partido Democrata em relação à Rússia é "fortemente negativa", mas que a posição de Moscou sobre a Ucrânia não depende das mudanças políticas em outros países.
"Sinal político de mudança", diz premier da Noruega
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, classificou o resultado das midterms como "um poderoso sinal político de uma mudança de rumo entre os eleitores americanos". "Agora estão surgindo vozes na política americana que estão mais próximas de nós do que o presidente e seu governo estiveram, por exemplo, em questões climáticas e ambientais, e também em política externa e política de ajuda ao desenvolvimento", afirmou.
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O que pesou no resultado
Rejeição a Trump — Pesquisas apontam que a popularidade de Trump vem caindo nos últimos meses. No último dia 19, a três semanas das eleições, uma pesquisa da Reuters/Ipsos indicou que a aprovação de Trump chegou a 31%.
Guerra no Irã e custo de vida — A alta na cotação do petróleo, provocada pela guerra no Irã, vem pressionando o custo de vida nos EUA, sobretudo em relação aos combustíveis. A inflação elevou as taxas de juros, o que também encareceu linhas de crédito e dívidas de cartão de crédito.
Jovens e latinos — Os dois segmentos da população vinham se aproximando dos republicanos em eleições recentes e agora, ao que tudo indica, inclinaram-se mais aos democratas. Uma das explicações é a política anti-imigratória do presidente republicano.
Voto antecipados — A mobilização pelo voto antecipado, que envolveu mais os democratas, levou 59 milhões de pessoas a votarem antes do dia oficial da eleição. Em 2022, haviam sido 45,9 milhões.
Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗