Capão do Leão cancela Carnaval de 2027 por dificuldades financeiras; festa custaria R$ 235 mil | Zona Sul
04/11/2026 10:42 · Pelotas/RS
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Prefeitura comunicou oficialmente a decisão às entidades carnavalescas; cerca de 16 blocos do município devem ser afetados pela suspensão do evento
A Prefeitura de Capão do Leão confirmou que não realizará o Carnaval de 2027 devido às dificuldades financeiras enfrentadas pelo município. A decisão foi comunicada oficialmente às entidades carnavalescas por meio do Ofício nº 044/2026, encaminhado pela Secretaria Municipal de Cultura, Desporto e Turismo. Nos últimos dois anos, a festa custou entre R$ 230 mil e R$ 240 mil aos cofres públicos.
Em entrevista à coluna, o diretor de Cultura, Desporto e Turismo, Ruan Lopes, explicou que o município enfrenta um período de contenção de despesas e precisa priorizar compromissos financeiros, como a folha de pagamento dos servidores e a primeira parcela do 13º salário, que ainda não havia sido quitada até o momento da entrevista.
— A gente está passando por uma situação de contenção de gastos já faz algum tempo. Estamos priorizando a folha de pagamento e a primeira parcela do 13º, porque ainda não pagamos aos funcionários. Não temos uma previsão orçamentária que garanta esse recurso em caixa — explicou.
Segundo Ruan, o Carnaval é um dos principais eventos do calendário municipal, tanto pela participação das entidades quanto pelo movimento econômico gerado na cidade. Apesar disso, a prefeitura não tem condições de assumir os custos da programação.
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— A gente entende a importância que tem o evento. É o evento que traz mais turistas e visitantes para o município, que mais movimenta a economia aqui. Mas a gente não tem como se comprometer com esse evento no ano que vem, infelizmente — afirmou.
Cerca de 16 blocos serão afetados
O cancelamento deve atingir diretamente cerca de 16 blocos carnavalescos de Capão do Leão, além de artistas, trabalhadores e prestadores de serviços envolvidos na organização da festa.
Nos últimos anos, a programação chegou a reunir aproximadamente 21 apresentações, incluindo entidades convidadas de Pelotas. Na edição mais recente, a prefeitura contratou apenas os blocos do próprio município.
O Carnaval costuma ocorrer durante três dias, com uma programação extensa de apresentações e atividades.
Ruan explicou que a decisão precisou ser tomada com antecedência porque a realização do evento depende de uma série de procedimentos administrativos, como contratações de estruturas, trio elétrico, sonorização, segurança e organização dos editais de participação dos blocos.
— A gente tem todo um planejamento que começa muito antes. Se não temos a certeza de que haverá recurso, não podemos começar esse processo — destacou.
Outros eventos também foram cancelados
As dificuldades financeiras também levaram a prefeitura a suspender outras atividades do calendário cultural.
Entre os eventos cancelados está o Sonho de Natal, que, segundo Ruan, tem custo semelhante ao do Carnaval. A administração municipal também deixou de realizar a Feira do Livro e outras programações que dependem de recursos próprios.
O diretor explicou que, diante da situação fiscal, verbas previstas para atividades culturais podem ser remanejadas para áreas consideradas prioritárias, como saúde e educação.
Outra programação que poderá sofrer alterações é o Levante da Canção Gaúcha. O município não participou do edital da Lei de Incentivo à Cultura do Estado para a próxima edição e avalia a possibilidade de transferir o festival para o final de 2027, caso haja melhora nas condições financeiras.
Perdas de arrecadação chegam a R$ 10,7 milhões
A situação financeira de Capão do Leão também é agravada por uma redução estimada em R$ 10,7 milhões nas receitas municipais, conforme informações repassadas pela administração. Três fatores são apontados como responsáveis pelo impacto nas contas públicas.
O primeiro é uma perda de aproximadamente R$ 3,2 milhões em repasses relacionados à educação. Segundo a prefeitura, a redução está associada aos baixos indicadores de desempenho educacional do município, incluindo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
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Outro impacto é o encerramento da concessão dos pedágios da Ecovias Sul, que teria provocado uma perda estimada em R$ 2,5 milhões na arrecadação municipal, principalmente pela redução da receita do Imposto Sobre Serviços (ISS).
O terceiro fator é uma diminuição estimada em R$ 5 milhões na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Conforme a administração municipal, a ampliação da faixa de isenção do imposto afetou os valores que anteriormente permaneciam nos cofres da prefeitura.
Somadas, as três perdas representam aproximadamente R$ 10,7 milhões, segundo os valores apresentados pela administração municipal.
A prefeitura também considera reduzir os custos da programação, especialmente com contratações artísticas, para tentar preservar a competição musical.
Publicado originalmente por GZH · Pelotas. Ler na fonte original ↗