Autora de "A bolsa amarela", escritora pelotense será homenageada no Prêmio Jabuti aos 94 anos | Zona Sul
20/10/2026 10:57 · Pelotas/RS
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Lygia Bojunga foi escolhida Personalidade Literária da 68ª edição da premiação, no ano em que seu livro mais conhecido completa 50 anos de publicação.
A escritora Lygia Bojunga, nascida em Pelotas e considerada uma das principais referências da literatura infantojuvenil brasileira, será homenageada aos 94 anos na 68ª edição do Prêmio Jabuti.
A autora foi escolhida como Personalidade Literária de 2026 e receberá o reconhecimento durante a cerimônia marcada para 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista.
A homenagem ocorre justamente no ano em que A bolsa amarela, uma de suas obras mais conhecidas, completa 50 anos de publicação. Lançado em 1976, o livro atravessou gerações de leitores e continua presente em escolas e discussões sobre literatura, infância e liberdade.
Ao receber a notícia, Lygia encaminhou à Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela premiação, uma carta manuscrita e uma mensagem gravada. Em uma das manifestações, agradeceu o reconhecimento:
— Que belo incentivo este!
De Pelotas ao Rio de Janeiro
Nascida em 26 de agosto de 1932, Lygia viveu os primeiros anos da infância em Pelotas. Aos oito anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passou a morar no bairro de Copacabana.
A mudança marcou suas lembranças da infância, especialmente pela descoberta do mar e da vida no bairro carioca. Em relato publicado pela Casa Lygia Bojunga, a escritora recordou:
— Ao nos mudarmos para o Rio, fomos morar em Copacabana e eu logo me entreguei ao mar, à praia e à vida do bairro de tal maneira que parecia até que o planeta Terra tinha um só nome: Copacabana.
Desde pequena, Lygia demonstrava interesse pela criação artística. Aos nove anos, já inventava as próprias fantasias de Carnaval, como uma de cigana registrada em fotografia de seu acervo pessoal.
Aos 19 anos, a paixão pelo teatro ganhou espaço em sua trajetória. Depois de ser escolhida para protagonizar a peça de estreia do Teatro Duse, criado por Paschoal Carlos Magno, fundador do Teatro do Estudante no Brasil, foi contratada pela companhia profissional Os Artistas Unidos.
Antes de se dedicar à literatura, também trabalhou como atriz, tradutora e autora de textos para rádio, televisão e teatro. Na companhia, dividiu o palco com nomes como Fernanda Montenegro e Henriette Morineau.
Uma trajetória premiada no Brasil e no exterior
A estreia literária ocorreu em 1972, com Os colegas, livro que conquistou o Prêmio Jabuti no ano seguinte. A escritora voltou a receber a estatueta em 1993, com Fazendo Ana Paz, e em 1997, com Seis vezes Lucas.
O reconhecimento internacional veio em 1982, quando se tornou a primeira brasileira a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, uma das principais distinções mundiais da literatura para crianças e jovens.
Em 2004, conquistou o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), concedido na Suécia, consolidando sua projeção internacional.
Entre suas obras estão ainda Angélica, A casa da madrinha, Corda bamba, O sofá estampado e Tchau. Seus livros foram traduzidos e publicados em diversos países.
Para Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, a escolha reconhece uma autora que transformou a maneira de abordar a infância na literatura brasileira.
— Lygia Bojunga mudou a maneira como a literatura brasileira olha para a infância. Seus livros confiam na inteligência, na imaginação e na sensibilidade de crianças e jovens para lidar com questões complexas — afirma, em comunicado divulgado pela CBL.
A bolsa amarela completa 50 anos
Publicado durante a ditadura militar, em 1976, A bolsa amarela acompanha Raquel, uma menina de 10 anos que guarda três grandes vontades: crescer, ser menino e se tornar escritora.
Ao esconder seus desejos em uma bolsa, a personagem constrói um universo de imaginação que a ajuda a compreender os conflitos com os adultos e a descobrir sua própria identidade.
A obra segue despertando interesse de novas gerações. Nos últimos anos, leitores passaram a compartilhar lembranças e reflexões sobre o livro em redes sociais como TikTok e X.
Em reportagem anterior de GZH, a escritora Ângela Hofmann, integrante dos Estudos Literários da Casa Lygia Bojunga, destacou a capacidade da narrativa de dialogar com diferentes idades.
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— Lygia permanece atual, fascinando as novas gerações de crianças e também de adultos que procuram compreender seus dramas pessoais — afirmou.
Da literatura ao trabalho de formação de leitores
Em 2002, Lygia criou a Casa Lygia Bojunga, editora responsável pela publicação de suas obras. Posteriormente, fundou a Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, voltada a iniciativas de incentivo à leitura e à formação de leitores.
A escritora vive atualmente em um sítio no interior do Rio de Janeiro, onde continua dedicada à escrita e aos projetos ligados à fundação.
A cerimônia do Prêmio Jabuti 2026 também anunciará os vencedores das 23 categorias e o Livro do Ano. A apresentação será dos jornalistas Michelle Loreto e Fabrício Battaglini, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.
Publicado originalmente por GZH · Pelotas. Ler na fonte original ↗