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A nova geração de latinos dos EUA que contribuiu para a derrota de Trump | GZH

GZH · Porto Alegre

05/11/2026 08:56 · Porto Alegre/RS

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A nova geração de latinos dos EUA que contribuiu para a derrota de Trump | GZH

Sua família os chama de "no sabo" ("não sei", em tradução livre). São jovens de origem latina, nascidos nos Estados Unidos, que tropeçam em algumas conjugações em espanhol, mas que contribuíram para a derrota eleitoral de Donald Trump.

Este ano, muitos deles faltaram às aulas para protestar contra as operações de imigração em larga escala do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), promovidas por Trump.

Muitos diziam ser a voz de seus pais, e aqueles aptos a votar foram às urnas na terça-feira. Eles fazem parte de um amplo eleitorado latino que, há dois anos, confiou em Trump acreditando que ele melhoraria a economia, mas que agora virou as costas para os republicanos nas eleições de meio de mandato.

Cerca de 44,9 milhões de pessoas falam espanhol em seus lares nos Estados Unidos, 13,9% da população com cinco anos ou mais. É o segundo idioma mais falado, depois do inglês, segundo dados oficiais.

"Eu sou um 'no sabo'. Sei espanhol o suficiente para conversar com minha mãe regularmente. Mas os 'no sabo' sabem, sim", disse, no Texas, Víctor Bucio, um americano de 34 anos, filho de pais mexicanos.

"Acredito que esta seja a mudança que alguém precisa para compreender a importância do seu voto na sociedade americana", acrescentou. Nas redes sociais, abundam vídeos de pais imigrantes mostrando, com orgulho, como seus filhos "no sabo" votaram na terça-feira.

A participação latina na terça-feira provavelmente será a maior da história em eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, afirmou Janet Murguía, presidente da UnidosUS.

Este grupo de defesa dos direitos dos latinos opõe-se à "campanha de deportações em massa fora de controle e às táticas abusivas, violentas e cruéis personificadas pelo ICE".

  • Texas agora é democrata -

Seus votos influenciaram a eleição de Gina Hinojosa, uma mulher latina criada em um lar mexicano católico, como governadora do Texas. Com essa vitória, Hinojosa pôs fim a três décadas de domínio republicano naquele estado.

Também celebraram a eleição de Xavier Becerra, de raízes mexicanas, como governador da Califórnia.

"Não se deixe abater", lembra Hinojosa que sua avó lhe dizia.

"Muitas latinas no Texas cresceram ouvindo essas mesmas palavras de suas mães, de suas avós (...). Esta vitória pertence a vocês e a elas", afirmou.

O cantor de música tex-mex Bobby Pulido, que se tornou candidato democrata, também conquistou uma cadeira que antes pertencia aos republicanos no Texas.

"Muito obrigado a todo o nosso povo que saiu para votar. Quebramos recordes. Há uma geração que não estava politicamente ativa e que decidirá quem ela quer que sejam seus líderes", disse o agora representante do 15º distrito do Texas, um estado com 40% de população latina.

Até mesmo a presidente do México, Claudia Sheinbaum, destacou a vitória de Hinojosa e Becerra. "Ficamos muito contentes que mexicanos-americanos recebam esse reconhecimento", afirmou.

Segundo a pesquisa pós-eleitoral AP Voter Poll, seis em cada dez eleitores latinos apoiaram o democrata James Talarico em sua eleição para o Senado pelo Texas.

Entre os jovens latinos de 18 a 29 anos, 70% votaram em candidatos democratas para a Câmara de Representantes, segundo estimativas do CIRCLE, um centro de pesquisa da Universidade Tufts.

  • Repúdio a Trump -

Em estados como a Flórida, os republicanos sobreviveram parcialmente à avalanche democrata, embora por uma margem estreita.

Viviana Castro, uma aposentada de origem venezuelana de 67 anos, diz estar "orgulhosa de votar contra esse senhor (Trump)".

"A forma como ele trata os imigrantes é antiética, imoral e não é o que um ser humano merece", disse Castro, em Doral.

Em sua conta no Instagram 'Qué Hacer en Austin', que conta com 432 mil seguidores, a mexicana Katia Marroquin recebeu pedidos de ajuda para encontrar advogados ou obter orientação diante das detenções realizadas pelo ICE, o que a motivou a incentivar o voto.

"Houve várias surpresas. Os 'no sabo kids' foram votar; muitos têm menos de 30 anos. Também houve uma presença maior de mulheres entre os eleitores. Acredito que tenha sido por empatia", afirmou.

Bucio disse que é "triste" que tenha sido necessário um evento que afetasse pessoalmente os latinos, como as operações do ICE, para que eles votassem.

Para Yadira Sánchez, diretora executiva da organização civil Poder LatinX, os jovens latinos têm as ideias bem claras.

"Nossa comunidade tem feito sacrifícios constantes para suprir suas necessidades básicas (...). Muitas famílias criam filhos nos Estados Unidos que alguns chamam de 'No sabo kids', mas nós os chamamos de geração 'Eu sim voto'."

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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