"A maior turbina flutuante das Américas será testada em Rio Grande", diz diretor da Portos RS sobre parque eólico offshore | Zona Sul
05/11/2026 04:00 · Porto Alegre/RS
Jornal ainda sem índice
A ausência de índice não significa que a notícia seja falsa ou verdadeira.
Verificação automática será iniciada ao abrir esta reportagem.

Instalação das boias de monitoramento prevista para o próximo verão marca uma nova etapa do projeto Aura Sul Wind, que busca testar a tecnologia de geração eólica em alto-mar no litoral gaúcho
A instalação das boias de monitoramento oceânico previstas para o próximo verão em Rio Grande representa mais do que uma etapa técnica do projeto Aura Sul Wind. Para os responsáveis pela iniciativa, o processo também servirá para produzir conhecimento científico, gerar dados ambientais inéditos e ajudar a construir a regulamentação da energia eólica offshore no Brasil.
Duas das três boias previstas para o empreendimento já chegaram ao país e aguardam apenas as liberações necessárias para serem posicionadas entre 35 e 65 quilômetros da costa gaúcha. A previsão é de que a instalação ocorra durante o verão.
Leia Mais
Como funcionam as boias que vão monitorar o mar em projeto de energia eólica em Rio Grande
Segundo o diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, o projeto tem caráter pioneiro em toda a América.
— A maior turbina flutuante das Américas será testada em Rio Grande. É um projeto demonstrativo que vai permitir não apenas produzir energia, mas gerar conhecimento sobre tecnologia, meio ambiente e segurança operacional.
Boias começam a gerar dados assim que forem instaladas
De acordo com Henrique, os equipamentos não terão apenas a função de medir ondas e condições do mar.
Duas das boias contarão também com sistemas capazes de registrar sons subaquáticos, permitindo monitorar a presença e a movimentação da fauna marinha, especialmente mamíferos marinhos que utilizam a região.
— Essas medições acústicas vão dar uma ideia muito importante do uso da área pela fauna marinha. São informações que servirão para vários estudos e também para o processo de licenciamento ambiental.
Além disso, as boias irão gerar dados oceanográficos e meteorológicos que poderão ser utilizados por pesquisadores, navegadores, pescadores e órgãos de monitoramento.
Parte dessas informações deverá integrar bancos de dados públicos e colaborar com estudos sobre eventos climáticos extremos e comportamento do ambiente marinho na região sul do Estado.
Óleo de cozinha pode virar combustível de avião e gerar renda para cooperativas de reciclagem
Empresa de Rio Grande investirá R$ 15 milhões em nova sede no Distrito Industrial
Projeto servirá para testar tecnologia e ajudar na regulamentação
Henrique destaca que a iniciativa não é apenas um empreendimento energético, mas também uma experiência prática para um setor que ainda está em desenvolvimento no país.
Segundo ele, muitas das regras que futuramente irão orientar a energia eólica offshore no Brasil ainda estão sendo construídas.
— Hoje existe muito conhecimento teórico, mas poucas experiências práticas. Esse projeto vai ajudar a entender o que realmente faz sentido exigir em processos de licenciamento, de operação e de ocupação dessas áreas marítimas.
Por esse motivo, a proposta é frequentemente descrita pelos envolvidos como um projeto-piloto.
Porto do Rio Grande terá papel estratégico
O empreendimento também poderá gerar reflexos para a cadeia industrial da região. A plataforma flutuante que sustentará a turbina será construída em concreto e parte dessa estrutura poderá ser produzida no Rio Grande do Sul.
Segundo Henrique, a tecnologia desenvolvida para o projeto pode abrir espaço para novas oportunidades industriais ligadas à transição energética.
— Existe um potencial importante de desenvolvimento tecnológico e industrial associado a esse tipo de solução. É um projeto que envolve diferentes empresas, universidades e instituições justamente porque o conhecimento gerado poderá ter aplicações futuras.
Relação com a pesca já está em discussão
Outro tema tratado pelos organizadores é a convivência da futura estrutura com atividades já consolidadas na costa gaúcha.
Segundo o diretor da Portos RS, já foram iniciadas conversas com representantes do setor pesqueiro para garantir que eventuais expansões futuras ocorram de forma compatível com os usos já existentes do mar.
— Tudo está sendo tratado com muita responsabilidade, sempre buscando compatibilizar a inovação tecnológica com as atividades desenvolvidas pela comunidade local.
Testes seguem previstos para 2029
O Aura Sul Wind é liderado pela JB Energy e prevê a instalação de uma turbina de 18,5 megawatts sobre uma plataforma flutuante posicionada a cerca de 60 quilômetros da costa de Rio Grande.
A previsão da empresa continua sendo iniciar os testes em 2029. A operação experimental deverá durar três anos e servirá para validar a tecnologia em condições reais de uso.
Se o cronograma for mantido, Rio Grande poderá se tornar o primeiro local das Américas a testar uma turbina eólica offshore flutuante dessa dimensão.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.
Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗