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A Cronologia da Água estreia na MUBI: Kristen Stewart dirige filmaço | GZH

GZH · Porto Alegre

03/11/2026 10:59 · Porto Alegre/RS

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A Cronologia da Água estreia na MUBI: Kristen Stewart dirige filmaço | GZH

Baseado nas memórias da escritora Lidia Yuknavitch, "A Cronologia da Água" (2025) já está disponível na plataforma MUBI

Nasce uma grande diretora: Kristen Stewart, 36 anos. A atriz californiana que ficou famosa como a Bella da saga adolescente Crepúsculo (2008-2012) e que concorreu ao Oscar como a princesa Diana de Spencer (2021) assina A Cronologia da Água (The Chronology of Water, 2025). O filme entrou no catálogo da plataforma MUBI no dia 30 de outubro.

É o primeiro longa-metragem de Stewart, que já havia dirigido clipes e curtas como o da antologia sobre a pandemia de covid-19 Feito em Casa (2020). Em A Cronologia da Água, ela também foi roteirista, adaptando o homônimo livro de memórias da escritora estadunidense Lidia Yuknavitch, 63 anos, ainda inédito no Brasil.

No filme, Lidia é encarnada por Imogen Poots, atriz britânica de 36 anos vista recentemente em Por Inteiro (2024) e Hedda (2025). A personagem e sua irmã mais velha, Claudia (vivida por Thora Birch na fase adulta), sofriam abuso sexual do próprio pai (papel de Michael Epp) na infância e na adolescência, sob a conivência alcoolizada da mãe (Susanna Flood).

Lidia encontra na natação uma forma de sobreviver e, quem sabe, de escapar do jugo paterno. Mas seus sonhos olímpicos são interrompidos quando ela se afunda no álcool e nas drogas.

Então, a protagonista troca a piscina pelo papel: escrever sobre suas experiências se torna uma forma de lidar com seu trauma, reorganizar o caos, dar sentido à dor e recuperar o direito ao desejo. Na jornada, ela vai amar diferentes pessoas, estudar com o romancista Ken Kesey (interpretado por Jim Belushi), o autor do clássico Um Estranho no Ninho (1962), e conhecer uma fotógrafa e terapeuta que emprega práticas BDSM (personagem de Kim Gordon, da banda Sonic Youth).

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Para narrar essa história, Kristen Stewart foi muito fiel à literatura de Yuknavitch ao mesmo tempo em que explorou todo o potencial do cinema — tendo como aliados fundamentais o diretor de fotografia Corey C. Waters (do terror Abandonada), a montadora Olivia Neergaard-Holm (de O Aprendiz e A Meia-Irmã Feia) e a compositora da trilha sonora, Paris Hurley.

A jovem cineasta abre mão da linearidade e aposta em uma estrutura fragmentada para retratar os vaivéns da memória, que tem leis próprias, conforme sintetizou brilhantemente a crítica Susana Schild em O Globo: "Pode ser tirana ou gentil, mas é sempre senhora de seus reféns. Aparece onde, quando e como deseja. Vem do nada e vai da mesma forma". Como a diretora e roteirista Eva Victor mostrou em Sorry, Baby (2025), o tempo nunca dilui por completo um trauma: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes em momentos futuros.

Outra crítica, Lúcia Monteiro, também foi perfeita ao elogiar, na Folha de S. Paulo, a atuação de Imogen Poots: a atriz se entrega ao papel, "não apenas parecendo jovem ou velha, mas se transformando entre alegria e tristeza, fúria e sobriedade, virilidade e ruína".

Todas essas emoções são vistas de muito perto pelo espectador. Kristen Stewart investe bastante em closes do rosto de Poots, e o corpo da personagem está sempre reagindo aos estímulos, sejam externos ou internos. A filmagem com película de 16 milímetros empresta textura às imagens, ampliando seu caráter tátil.

Extremamente sensorial e não raro perturbador, A Cronologia da Água não é um filme do qual se sai ileso. Assistir pode ser muito doloroso, mas Kristen Stewart também espera que seja transformador:

— A Cronologia da Água é um convite para olhar a vergonha de frente, encarar o que é feio e, ainda assim, reconhecer que o seu corpo e a sua história são seus. A experiência de ser mulher costuma ser tratada como um grande segredo. Desde pequenas, aprendemos a guardar quase tudo só para nós, mas contar esses segredos pode ser profundamente libertador. Espero que o público saia do cinema entendendo que usar a própria voz, escrevendo, criando arte ou simplesmente dizendo a própria verdade é um ato de poder.

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Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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