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1968 tem que terminar | GZH

GZH · Porto Alegre

21/10/2026 17:11 · Porto Alegre/RS

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1968 tem que terminar | GZH

Quase seis décadas após a resistência à ditadura retratada por Zuenir Ventura, "Mestre Zu" chega aos cinemas em meio a novos atos pela democracia

Nesta quinta-feira (22), dia em que se completa exatamente um mês da morte de Zuenir Ventura, chega aos cinemas Mestre Zu, documentário dirigido por Zelito Viana sobre o jornalista e escritor. O filme narra a trajetória do autor do essencial 1968: O Ano que Não Terminou, que traça o panorama cultural, social e político do Brasil no período em que a ditadura militar iniciou sua fase mais sombria e repressiva. Com faro de repórter e verve de prosador, o imortal da Academia Brasileira de Letras recupera movimentações populares de resistência ao regime. Como a Passeata dos Cem Mil, realizada em junho daquele emblemático ano no Rio de Janeiro, e manifestações artísticas de protesto tipo Caetano Veloso cantando É Proibido Proibir no 3º Festival Internacional da Canção. Mas daí veio o AI-5, em 13 de dezembro, calando vozes, usurpando direitos e deixando o desfecho de 1968 em suspenso.

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Quase seis décadas depois dos episódios relatados por Zuenir, as ruas do país novamente testemunham mobilizações em defesa da democracia e das liberdades. Nos últimos dias, grandes e pequenas cidades brasileiras sediaram passeatas e comícios em apoio à candidatura de Lula à reeleição. O acirramento da disputa no segundo turno motivou a esquerda e opositores ao avanço da extrema-direita a não apenas se engajarem mais renhidamente na campanha digital, mas também ocuparem o espaço público com a insubstituível presença física. Dezenas de milhares de pessoas participaram da caminhada com o presidente em Porto Alegre na última segunda-feira (19), em uma das maiores manifestações políticas da história da capital gaúcha. Tanto aqui quanto nas outras praças, a juventude injetou energia, entusiasmo e esperança nesses encontros.

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Caminhando ao lado dos mais jovens, veteranos de outros embates democráticos também saíram de casa para defender suas convicções. Nos palanques, foram justamente artistas octogenários os que mais imprimiram credibilidade, emoção e contundência aos atos, como Chico Buarque no Rio e Gilberto Gil em Salvador — os dois presentes lá no 1968 descrito por Zuenir. Em Copacabana, Caetano Veloso chorou no palco enquanto Geraldo Azevedo cantava Dia Branco, lembrando que os dois artistas foram presos pela ditadura.

Neste domingo (25), a opção na urna, tanto para jovens quanto para mais velhos, será entre livros e armas, soberania e entreguismo, empatia e ódio, democracia e cleptocracia, civilização e barbárie. Que as lições de 1968 — ano em que nasci, aliás — sirvam de alerta na hora de votar, e o ano possa enfim terminar com sol.

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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