Presidente do máximo tribunal deixa Bolívia e denuncia perseguição política | GZH
04/11/2026 14:26 · Porto Alegre/RS
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O presidente do mais alto tribunal de justiça da Bolívia, Romer Saucedo, informou nesta quarta-feira (4) que deixou o país devido a uma suposta "perseguição" por parte do governo de Rodrigo Paz, em meio a investigações contra autoridades.
Desde outubro, várias autoridades do sistema judicial foram detidas por supostos vínculos com o narcotráfico, entre elas o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso dias depois de os Estados Unidos cancelarem seu visto e o de vários funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.
"Saí do país, estou com toda a minha família no exílio", anunciou na rede social X Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça, que também denunciou "tentativas de perseguição e intimidação" por parte do governo.
"Sei que vão forjar provas para me desacreditar", acrescentou, sem detalhar sobre de que é acusado ou em que país se encontra.
Até o momento, não se conhecem investigações contra ele. Como presidente do tribunal, Saucedo tem foro por prerrogativa de função segundo a lei boliviana e não pode ser investigado pela Justiça sem autorização do poder legislativo.
"Notícia lamentável, mas animadora para o futuro", disse nesta quarta-feira o presidente de centro-direita Rodrigo Paz durante um encontro empresarial na Espanha, prévio à Cúpula Ibero-Americana.
Saucedo "vai embora do país porque há uma série de acusações e investigações sobre o nosso modelo de sistema judicial", acrescentou o mandatário, sem oferecer mais detalhes.
Os magistrados da corte mantêm uma sessão para escolher uma autoridade máxima transitória. Saucedo afirmou que não renunciará ao cargo.
"A notícia nos pegou de surpresa e não haveria razão para estar investigando as saídas" do país do presidente do tribunal, disse à Rádio Fides o porta-voz do governo, José Luis Gálvez.
Desde 2011, as principais autoridades judiciais são eleitas por voto popular.
Saucedo venceu pelo departamento de Santa Cruz (leste) com mais de 700 mil votos no fim de 2024. Um mês depois, foi escolhido por seus pares para presidir o tribunal.
O governo de Paz, prestes a cumprir seu primeiro ano no poder, busca maior proximidade com Washington.
Em março, juntou-se ao Escudo das Américas, aliança regional de governos de direita para combater o crime organizado transnacional liderada pela administração de Donald Trump, que tem demonstrado seu apoio às recentes detenções de autoridades judiciais na Bolívia.
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