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Livros mostram a rotina de peritos e policiais, a simbiose que elucida crimes | GZH

GZH · Porto Alegre

04/11/2026 07:30 · Porto Alegre/RS

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Livros mostram a rotina de peritos e policiais, a simbiose que elucida crimes | GZH

Obras sobre análise de vestígios e sobre a história dos comissários de Polícia estão disponíveis na Feira do Livro de Porto Alegre

Tive o prazer de conferir na Feira do Livro de Porto Alegre dois lançamentos fundamentais para quem se interessa por crimes. Um deles é o Vestígios 3, terceiro volume de histórias de vida e morte narradas do ponto de vista de um dos mais conhecidos peritos criminais gaúchos, Anderson Morales. A outra obra é Comissário de Polícia, livro de estreia de Susi Garcia - ela própria, comissária da Polícia Civil gaúcha.

Peritos e policiais judiciários (civis ou federais) são uma simbiose formada para elucidar crimes. É muito difícil nos tempos atuais um inquérito ser fechado sem que esteja amparado em perícia de algum tipo - pelo menos, os que envolvem violência. Mas não só esse tipo de crime: é preciso periciar também contas bancárias e computadores atrás de desfalques ou operações de lavagem de dinheiro, tão comuns e tão nefastas para a sociedade.

Formado em Direito, com especialização em Ciências Policiais, Morales fez a maior parte da sua carreira com atendimento a locais de crime. Na trilogia Vestígios, aborda alguns dos mais impressionantes homicídios registrados na crônica policial gaúcha. Casos de infanticídio, de envenenamento do cônjuge, de suicídios com ou sem bilhete de despedida.

Morales também aborda os aspectos psicológicos dos criminosos e das vítimas, explorando ainda o fascínio humano pela morte e pelo crime.

  • Por que romances policiais, séries sobre crimes reais e histórias de serial killers despertam tanto interesse? Existe uma diferença entre curiosidade científica, interesse narrativo e exploração da tragédia - comenta ele, ao introduzir casos narrados no livro.

O autor ainda explica o que o fez rumar para essa profissão: os romances de mistério e os famosos detetives da ficção.

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Já a obra de Susi tem mais fundo histórico e menos pessoal. Dentre todos os investigadores de rua, aqueles que por intuição e experiência conseguem rapidamente adivinhar a trilha que levou a um crime, o comissário é o mais graduado. O oráculo dos colegas, em resumo, a quem eles recorrem quando o mistério aperta. Pois é um ofício bem mais antigo do que a maioria de nós supõe. O cargo foi criado na Paris de 1667, copiado em Lisboa e depois trazido ao Rio de Janeiro pela corte portuguesa, dali se espalhando para o Brasil continental, como mostra a autora.

Susi começa a narrativa pelos becos escuros da capital francesa, três séculos e meio atrás, tempos tenebrosos em que bandos de salteadores tomavam os becos escuros de uma metrópole que ainda não era chamada de Cidade Luz. Foi nessa época que o rei Luís XIV, tentando conter o caos reinante na escuridão, criou a Tenência-Geral de Polícia e, com ela, uma rede de comissários espalhados pelos bairros. Eram chamados de homens da lanterna vermelha.

O livro percorre 358 anos de episódios em vários países, com destaque para o Brasil. Susi sabe do que fala, pois atuou na linha de frente de muitas investigações. Entre essas, se destacam a comprovação de fraudes em concursos públicos para oficial de Justiça. Outra sobre venda de alvarás judiciais, uma terceira sobre funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa gaúcha. Apurou também desvio de verbas públicas no município de Porto Alegre, ainda em crimes cometidos pelos Black blocs (manifestantes anarquistas que cometiam vandalismos durante protestos em 2013). E enquadrou um poderoso grupo de extermínio de Gravataí, montado por três irmãos ligados à maior facção criminal gaúcha, responsáveis por dezenas de homicídios e tortura de rivais num carro blindado chamado Caveirão da Morte. Essa investigação resultou em 48 inquéritos policiais.

Quer saber mais? Confere na feira.

Vestígios - histórias de vida e de morte, de Anderson Morales. Editora Besouro Box. 206 páginas. R$ 56.

Comissário de Polícia - 358 anos de poder, ordem e resistência. Editora AGE. 207 páginas. R$ 68.

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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