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Solar Paraíso: a história de sobrado do tempo do Império | GZH

GZH · Porto Alegre

02/11/2026 00:20 · Porto Alegre/RS

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Casa do bairro Santa Tereza, em Porto Alegre, abriga a Cia Municipal de Dança

O Solar Paraíso, em Porto Alegre, é uma construção remanescente do tempo do Império do Brasil. Erguido na década de 1820, o sobrado virou um espaço cultural da Secretaria Municipal da Cultura. A casa da Travessa Paraíso, no bairro Santa Tereza, recebe atividades da Cia Municipal de Dança, com ensaios, apresentações e oficinas de artes cênicas.

O prédio de arquitetura colonial tem dois andares e sótão. Em 1820, Manoel Alves dos Reis Louzada comprou uma chácara e mandou construir um sobrado coberto de telhas e outras benfeitorias. Onofre Pires da Silveira Canto, um dos líderes da Revolução Farroupilha, adquiriu a propriedade em 1829.

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O Solar Paraíso está muito vinculado a outra família: os Silveiro. Em 1854, o médico português Dionísio de Oliveira Silveiro comprou a Chácara do Cristal. O historiador Manolo Silveiro Cachafeiro, trineto do imigrante, enviou ao Almanaque Gaúcho resgate sobre o tempo em que seus antepassados moraram no local.

Depois da morte do médico, em 1871, a propriedade passou à viúva, Maria Sophia Freire Silveiro, e foi posteriormente transmitida aos herdeiros. O casal teve quatro filhos: Maria Sofia, Dionísio, Affonso e Amália.

Com base em estudos da arqueóloga Fernanda Bordin Tocchetto e na documentação dos inventários da família conservada no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, foi possível reconstruir uma parte da história da propriedade.

O inventário de Maria Sophia, realizado em 1888, revela que o filho Affonso ficou com a parte da chácara que incluía o sobrado. Ele teria morado no Solar Paraíso de 1888 até sua morte, em 1903. Affonso de Oliveira Silveiro deixou oito filhos. Era casado, sem registro, com Emilia, uma mulher negra. Depois da sua morte, a propriedade foi vendida.

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Em outras fontes, no passado, a posse da propriedade não era vinculada a Affonso, mas ao irmão, Dionísio de Oliveira Silveiro Filho.

— Mais do que uma questão de nomes, a correção ajuda a compreender a trajetória da propriedade. O velho sobrado da Travessa Paraíso é, assim, uma peça importante para compreender a presença dos Silveiro e a formação da memória urbana de Porto Alegre — destaca o historiador, bisneto de Affonso.

Visitas ao Solar Paraíso

O Solar Paraíso abre ao público nos eventos promovidos pela Cia Municipal de Dança. A comunidade também pode agendar visitas ([email protected]). O sobrado fica na Travessa Paraíso, 71, bairro Santa Tereza.

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Depois de permanecer desocupado entre os anos 1970 e 1990, o local foi reconhecido como sítio arqueológico em 1994. A prefeitura de Porto Alegre tomou posse do imóvel. Em 2000, após restauração, o solar foi reaberto.

Quem foi Dionísio de Oliveira Silveiro?

Após cursar Medicina na Universidade de Coimbra, Dionísio de Oliveira Silveiro veio a Porto Alegre. Ele casou-se em 1832 com Rafaela da Silva Freire, uma das filhas do coronel Vicente Ferrer da Silva Freire e neta do brigadeiro Rafael Pinto Bandeira.

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O português ficou viúvo pouco tempo depois. Em 1836, casou-se com a cunhada, Maria Sophia Freire Silveiro.

Falecido em 1871, foi doador de terrenos para a construção da Igreja da Conceição e da Beneficência Portuguesa. O sobrenome da família dá nome à Rua Silveiro, nos bairros Menino Deus e Santa Tereza.

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Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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