Pressione Esc para fechar

← Voltar às notícias dos jornais
Policial

De "cidade-prisão" a referência no SUS: a história do hospital do Paraná que completa 100 anos

Bem Paraná

02/11/2026 16:39 · Curitiba/PR

Aguardando verificaçãoApoio factual sem índice

Jornal ainda sem índice

A ausência de índice não significa que a notícia seja falsa ou verdadeira.

Verificação automática será iniciada ao abrir esta reportagem.

De "cidade-prisão" a referência no SUS: a história do hospital do Paraná que completa 100 anos

O Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, celebrou 100 anos de... O post De “cidade-prisão” a referência no SUS: a história do hospital do Paraná que completa 100 anos apareceu primeiro em Bem Paraná.

O Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, celebrou 100 anos de sua fundação. Fundado em 20 de outubro de 1926, como Hospital São Roque, a instituição teve papel importante na história da hanseníase no Estado. Inicialmente destinado ao isolamento de pacientes com a doença em uma espécie de “cidade-prisão”, o hospital acompanhou a evolução das políticas públicas de saúde e dos tratamentos, em atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atende, por dia, 500 pacientes de 56 municípios, conta com 27 médicos especialistas, 12 residentes e cerca de 210 colaboradores. Desde 2023, também se consolidou como centro de formação, com residência médica em dermatologia autorizada pelo MEC. Somente no último ano, recebeu R$ 38,5 milhões em investimentos para ampliação da estrutura e qualificação da assistência.

Entre 2021 e 2025, os atendimentos cresceram cerca de 545%, passando de aproximadamente 26 mil para 167 mil por ano. O ambulatório de feridas é o maior do Estado, com média de 120 atendimentos diários. “São 100 anos de uma instituição que acompanhou a evolução da medicina e se transformou em referência na assistência especializada. Seguimos investindo na modernização e ampliação dos serviços para garantir mais acesso e qualidade no atendimento à população”, disse o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Criado como Hospital São Roque, voltado ao tratamento da hanseníase em regime de isolamento, o HDSP acompanhou as mudanças nas políticas públicas de saúde e se transformou em referência em atendimento ambulatorial humanizado. Durante o Janeiro Roxo, a unidade promove ações de conscientização, capacitação profissional e combate ao estigma da doença, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento gratuito pelo SUS.

Além do acompanhamento de pacientes com hanseníase, a unidade atende pessoas com psoríase, eczema, doenças vasculares, lesões de pele e feridas de difícil cicatrização. Os serviços incluem consultas médicas, estomaterapia, curativos especiais, fototerapia, procedimentos dermatológicos e atendimento multiprofissional nas áreas de fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.

A unidade hospitalar também promove mutirões voltados ao diagnóstico de lesões suspeitas de câncer de pele e ao atendimento de pacientes com problemas vasculares, especialmente nos membros inferiores.

Atualmente, o HDSP oferece assistência em Dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e tratamento de feridas complexas. A instituição também atua na formação de especialistas, com programa de residência médica em Dermatologia iniciado em 2023, contribuindo para o desenvolvimento da especialidade e a qualificação da assistência à população paranaense.

Antes de se tornar referência em atendimento especializado, o hospital teve uma realidade bastante diferente. Inaugurado como Hospital São Roque, em 1926, foi criado para receber pessoas com hanseníase.

Cidade-prisão tinha cinema, correio, cemitério e até uma cadeia

Na primeira metade do século XX, a ausência de tratamentos eficazes e as políticas sanitárias adotadas no Brasil levaram à criação de hospitais-colônia, destinados ao isolamento de pessoas diagnosticadas com a doença. O São Roque chegou a abrigar aproximadamente 1,3 mil pacientes simultaneamente. Mais do que uma instituição hospitalar, o complexo funcionava como uma pequena cidade, com áreas residenciais, igreja, cinema, correio, cemitério e até uma cadeia.

Para muitas pessoas, o hospital não representava apenas um local de tratamento, mas o espaço onde passaram parte significativa de suas vidas, afastadas do convívio familiar e social pelas políticas de isolamento compulsório. Com os avanços científicos e as mudanças nas políticas de enfrentamento da hanseníase, esse modelo foi sendo superado.

Em 1983, a unidade passou a ser administrada pela Secretaria de Estado da Saúde e recebeu o nome de Hospital de Dermatologia São Roque. Em 1990, mudou para Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, consolidando uma nova etapa de sua trajetória, voltada à assistência especializada e à ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Hospital contribui com a formação de profissionais

A instituição também passou a contribuir diretamente para a formação de novos especialistas. Em 2023, implantou o Programa de Residência Médica em Dermatologia, autorizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Em 2026, ano do centenário, está prevista a formação da primeira turma de médicos residentes, fortalecendo a atuação do hospital como espaço de assistência, ensino e aperfeiçoamento profissional.

A unidade também promove simpósios e capacitações nas áreas de hansenologia, dermatologia e tratamento de feridas, reunindo profissionais de diferentes regiões do Paraná.

O serviço de residência médica é chefiado pelo Dr. Caio Cesar Silva de Castro, professor adjunto de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), doutor em Ciências da Saúde e membro titular da Academia Paranaense de Medicina. Pesquisador com atuação de destaque na área do vitiligo, o médico contribui para integrar ensino, pesquisa e assistência especializada, fortalecendo a formação de novos dermatologistas no Paraná.

Parte dessa trajetória pode ser conhecida no Museu São Roque (Musar), inaugurado em março de 2020 em um dos prédios históricos do complexo hospitalar. O espaço reúne documentos, objetos e registros que ajudam a compreender a história da hanseníase, as antigas políticas de isolamento e as transformações no atendimento aos pacientes.

Considerado o primeiro museu paranaense dedicado à memória e à evolução do tratamento da hanseníase, o Musar também contribui para a preservação do patrimônio histórico da saúde pública e para a reflexão sobre o estigma que acompanhou a doença durante décadas.

Para marcar a data, foi preparada uma programação especial ao longo de outubro, reunindo atividades religiosas, culturais, homenagens e encontros voltados à troca de experiências sobre o enfrentamento da hanseníase. As comemorações começaram no dia 18, com uma missa promovida pelas Irmãs Franciscanas de São José, congregação que participou da história da instituição desde sua fundação.

Nesta sexta-feira (23), a programação foi dedicada aos funcionários e pacientes, com apresentação do Coral Paraná, premiação dos vencedores de um concurso interno de fotografias, plantio simbólico de um ipê e exposição de desenhos produzidos em parceria com o grupo Urban Sketchers Curitiba (USK). As atividades acontecerão no antigo refeitório da unidade, das 13h30 às 17h.

Nos dias 28 e 29 de outubro, o hospital sediou o 2º Encontro de Hospitais Parceiros do Instituto Alliance Contra Hanseníase, reunindo representantes de instituições de diferentes regiões do Brasil para compartilhar experiências e discutir ações relacionadas à doença.

O encontro contou com a participação do Instituto Lauro de Souza Lima, de Bauru (SP), do Hospital São Julião, de Campo Grande (MS), e da Fundação Hospitalar Alfredo da Mata, de Manaus (AM), além de representantes de outras instituições de saúde. As atividades técnicas tiveram continuidade na tarde do dia 28 e durante o dia 29, no auditório do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI).

Publicado originalmente por Bem Paraná. Ler na fonte original ↗

Continue explorando

Publicidade paga