De 161 mil operários a um palhaço: veja as profissões mais comuns e as mais raras do Paraná
04/11/2026 21:00 · Curitiba/PR
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O mercado formal de trabalho do Paraná é um mar com milhares de profissões. E enquanto alguns profissionais “nadam” acompanhados por centenas de milhares de colegas, há quase 100 profissões que “navegam” solitariamente, com apenas um vínculo de emprego em todo o estado. É o que revela um levantamento feito pelo Bem Paraná com base nos microdados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). O relatório socioeconômico, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), serve como uma espécie de Censo do Trabalho Formal, mapeando os vínculos empregatícios do setor público e privado no Brasil.
Em sua edição mais recente, com dados do final do ano passado (31/12/2025), a RAIS apontava que o Paraná tinha um estoque de 3.806.237 vínculos de emprego ativos. Contudo, isso não equivale necessariamente a 3,8 milhões de trabalhadores formais, já que uma mesma pessoa pode ter mais do que um vínculo de emprego, por exemplo.
O Bem Paraná, então, se voltou para as ocupações relacionadas a esses vínculos, que são classificados na RAIS segundo a ocupação exercida, identificada pela CBO (Classificação Brasileira de Ocupações). E foi com base nessas informações que se tornou possível identificar que há 2.428 ocupações diferentes com vínculos ativos no Estado. Além disso, descobriu-se também um mercado de trabalho marcado por contrastes: enquanto algumas profissões concentram centenas de milhares de empregos, outras aparecem com apenas um registro.
Uma multidão nas linhas de produção
No topo do ranking das ocupações mais comuns estão os alimentadores de linha de produção, com 160.112 vínculos ativos. São trabalhadores que atuam no abastecimento de máquinas e esteiras com matérias-primas, insumos ou embalagens, evitando paradas no processo produtivo e separando peças com defeitos ou refugos para reapreciação ou descarte.
A liderança, porém, é apertada. Na segunda colocação aparecem os assistentes administrativos, com 160.090 vínculos — apenas 22 a menos que os alimentadores de linha de produção. Completam ainda as primeiras posições os vendedores do comércio varejista (135.992), faxineiros (122.271) e auxiliares de escritório (122.068), seguidos pelos motoristas de caminhão (119.757), operadores de caixa (71.602), professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental (56.285), técnicos de enfermagem (55.174) e trabalhadores de limpeza e conservação de áreas públicas (49.031).
Juntas, as dez ocupações mais comuns no Paraná reúnem 1.052.382 vínculos, o equivalente a 27,8% dos registros ativos identificados na tabulação. Isso significa que, dentro do universo analisado, mais de um em cada quatro empregos formais estava concentrado em apenas dez ocupações.
98 profissões navegam sozinhas
Na outra ponta do levantamento, a realidade é bem diferente. Entre as 2.428 ocupações identificadas, 98 apresentavam apenas um vínculo de emprego ativo em 31 de dezembro de 2025. Ou seja, havia apenas um vínculo formal de emprego registrado naquela ocupação em todo o estado, na data de referência.
Nesse grupo aparecem profissões curiosas. Entre elas estão palhaço, trapezista, pipoqueiro ambulante, confeccionador de acordeão, confeccionador de órgão, tanoeiro (artesão que fabrica, monta ou conserta tonéis, barris, pipas, dornas, tinas e outros recipientes de madeira usados para armazenar e envelhecer líquidos, como vinho, cachaça e uísque), escritor de não ficção e árbitro de judô. Cada uma dessas ocupações tinha somente um vínculo formal ativo registrado no estado na data de referência.
Isso não significa, porém, que exista apenas um palhaço ou um filósofo em todo o Paraná. A RAIS contabiliza vínculos formais de emprego, e não todos os profissionais que exercem determinada atividade. Por isso, um palhaço que trabalha por conta própria em festas e eventos, por exemplo, não aparece necessariamente na RAIS como empregado nessa ocupação. Da mesma forma, uma pessoa formada em Filosofia pode estar registrada como professora, pesquisadora ou exercer outra função, sendo contabilizada em uma classificação ocupacional diferente.
Além disso, o levantamento também identificou 72 ocupações com apenas dois vínculos ativos e outras 51 com três. Somadas, são 221 ocupações com no máximo três empregos formais ativos registrados no estado.
O levantamento do Bem Paraná com base nos microdados da RAIS 2025 também permitiu investigar o quanto ganham, em média, os trabalhadores que exercem as profissões mais comuns no estado. E os resultados revelam diferenças expressivas de remuneração entre as dez ocupações que concentram o maior número de vínculos de emprego no estado.
Os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental eram os profissionais com a maior remuneração média, com R$ 5.157,86 em dezembro de 2025. Na sequência aparecem os técnicos de enfermagem (R$ 4.076,79) e os motoristas de caminhão (R$ 3.984,32). Já na outra ponta estão os faxineiros, com remuneração média de R$ 2.096,30, a menor entre as dez ocupações analisadas. Isso significa que a remuneração média dos professores foi aproximadamente 2,46 vezes a dos faxineiros, uma diferença de R$ 3.061,56.
Já os alimentadores de linha de produção, ocupação com o maior número de vínculos formais no Paraná, registraram remuneração média de R$ 2.438,71. Os assistentes administrativos, que aparecem na segunda posição em quantidade de empregos, receberam, em média, R$ 3.617,48.
Os valores correspondem à remuneração nominal média de dezembro de 2025, calculada considerando apenas os vínculos com remuneração positiva naquele mês. Portanto, não representam necessariamente o salário-base dos trabalhadores nem a média de remuneração recebida ao longo de todo o ano.
Abaixo, você confere a lista completa de profissões com apenas um vínculo formal registrado no Paraná em 31/12/2025.
Publicado originalmente por Bem Paraná. Ler na fonte original ↗