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Ativista Joshua Wong é condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong | GZH

GZH · Porto Alegre

05/11/2026 06:04 · Porto Alegre/RS

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Ativista Joshua Wong é condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong | GZH

Um tribunal de Hong Kong condenou nesta quinta-feira (5) Joshua Wong, um dos ativistas pró-democracia mais conhecidos da cidade semiautônoma chinesa, a 10 anos adicionais de prisão por "conluio com forças estrangeiras".

O ex-líder estudantil, atualmente com 30 anos, que ganhou renome internacional durante os grandes protestos de 2014 que sacudiram a ex-colônia britânica, conhecidos como o "Movimento dos Guarda-Chuvas", já passou, no total, quase seis anos preso.

O consulado dos Estados Unidos em Hong Kong condenou de modo veemente a sentença, que demonstra que Pequim "está disposto a chegar a extremos extraordinários para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais" na cidade.

Pouco depois do comunicado divulgado pelo consulado americano, Pequim advertiu que as "partes envolvidas devem respeitar a soberania da China, respeitar o sistema jurídico de Hong Kong e parar de fazer comentários irresponsáveis sobre os julgamentos" na cidade.

Analistas esperavam que Wong fosse libertado em janeiro, após cumprir quatro anos e oito meses de prisão por "subversão", crime pelo qual foi condenado em um julgamento anterior baseado em uma lei de segurança nacional imposta em Hong Kong pela China.

Porém, as autoridades do centro financeiro utilizaram a mesma legislação para acusar novamente o ativista, em junho de 2025, de pedir a outros países e entidades que adotassem sanções contra as autoridades locais e a China.

O magnata pró-democracia Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, foi condenado em fevereiro a 20 anos com base na mesma lei.

Wong enfrentava o risco de uma pena de prisão perpétua, mas o tribunal decidiu que "um ponto de partida adequado" eram 13 anos, posteriormente reduzidos para 10 devido à sua declaração de culpa em setembro.

O ativista afirmou em uma carta dirigida ao tribunal em busca de atenuantes, à qual a AFP teve acesso, que esperava sair da prisão em 2027, mas que a nova acusação o fez sentir que havia retornado ao ponto de partida.

Também escreveu que seu futuro não seria definido pelo passado e que os anos que passou na prisão foram as "lições mais profundas" de sua vida.

  • "Cruel e injusta" -

Com uma grande presença policial do lado de fora, Wong entrou no tribunal com aspecto sereno. Ele cumprimentou os apoiadores com a cabeça e observou o público e os jornalistas.

Após o anúncio da sentença, ele agradeceu aos apoiadores na saída do tribunal. Alguns choravam e um disse: "Vamos esperar a sua libertação".

Pequim "mantém um controle rígido sobre Hong Kong e não há margem para voltar aos dias mais flexíveis, anteriores a 2019", avaliou Steve Tsang, diretor do Instituto da China da Universidade SOAS de Londres.

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, enfatizou após a sentença que Wong demonstrava um "desprezo absoluto pela lei".

A organização Human Rights Watch classificou a pena como "cruel e injusta" e pediu a governos estrangeiros "sanções específicas" diante da "repressão crescente em Hong Kong".

O governo de Taiwan, ilha democrática reivindicada por Pequim, criticou que China e Hong Kong utilizem "ferramentas autoritárias para fabricar acusações e levar adiante uma perseguição política sem fim".

  • Estrela política -

Wong ganhou fama durante os protestos de 2014 em Hong Kong. Ele já entrou e saiu da prisão diversas vezes desde 2017, em decisões motivadas por vários processos judiciais relacionados.

As autoridades afirmam que Wong começou a exercer pressão no cenário internacional já em 2016, quando promoveu um projeto de lei que permitiria ao presidente dos Estados Unidos impor sanções em resposta a violações dos direitos humanos na cidade.

Em 2019, quando Hong Kong era cenário de mais protestos pró-democracia, com milhares de pessoas e em alguns momentos violentos, Wong integrou uma delegação que viajou aos Estados Unidos para pressionar a favor da iniciativa, que foi aprovada.

No ano seguinte, Pequim impôs uma lei de segurança nacional de grande alcance em Hong Kong para sufocar a dissidência, o que provocou a dissolução de grupos de oposição e a fuga de ativistas da cidade.

Wong foi uma das dezenas de figuras pró-democracia presas por "subversão" em 2024, no maior julgamento de segurança nacional de Hong Kong.

"É de partir o coração. Um jovem tão destacado, que tem sido excepcional desde a juventude", disse Margaret Chan, uma aposentada de 61 anos e apoiadora de Wong.

"Eu me sinto triste por ele, mas não há nada que possamos fazer... exceto encorajar e apoiar uns aos outros", disse o ativista pró-democracia Figo Chan à imprensa.

Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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