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Assalto à Brasileira: filme recria roubo de banco no Brasil do Plano Cruzado | GZH

GZH · Porto Alegre

04/11/2026 07:44 · Porto Alegre/RS

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Assalto à Brasileira: filme recria roubo de banco no Brasil do Plano Cruzado | GZH

Murilo Benício e Christian Malheiros estrelam "Assalto à Brasileira", de José Eduardo Belmonte, que estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas

Pode-se acusar José Eduardo Belmonte de qualquer coisa, menos de ser preguiçoso. Nos últimos oito anos, o cineasta paulista lançou nove longas-metragens e dirigiu episódios de quatro séries. Três dos filmes competiram no Festival de Gramado: O Pastor e o Guerrilheiro (2022), Uma Família Feliz (2023) e Justino: Nos Bastidores do Reino (2026). Enquanto esse último não ganha data de estreia, entra em cartaz nos cinemas, nesta quinta-feira (5), Assalto à Brasileira (2025).

Extraído do livro homônimo publicado no ano passado pelo jornalista Domingos Pellegrini, o título é um achado. Adverte o espectador de que, sim, este é um filme de assalto a banco, mas com peculiaridades nacionais. Aliás, o ditado popular usado como epígrafe reforça o alerta: "Pense em um absurdo. Ele já aconteceu antes no Brasil". Portanto, embora a trama envolva armas de fogo, um vigilante ferido, momentos tensos e dezenas de reféns, Assalto à Brasileira está mais para comédia de erros e improvisos do que um típico exemplar do subgênero cinematográfico.

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Com roteiro de L.G. Bayão, o mesmo de Maníaco do Parque (2024), o filme reconstitui o roubo do Banestado, ocorrido em Londrina, no Paraná, no dia 10 de dezembro de 1987 — se você desconhece a história, não se preocupe, evitarei descrever detalhes que podem comprometer a sua experiência.

A sequência de abertura dá o contexto: sob a presidência de José Sarney, o país atravessava uma grave crise econômica, com inflação galopante. Pouco mais de um ano antes, o governo tinha lançado o Plano Cruzado II, para corrigir os desequilíbrios gerados pelo congelamento artificial de preços anterior, que havia provocado desabastecimento generalizado nas prateleiras dos supermercados, a cobrança ilegal de ágio e uma forte crise fiscal.

As medidas, que visavam arrecadar fundos e conter o consumo, se mostraram impopulares. Foram aplicados aumentos imediatos nos automóveis, nos combustíveis, nos cigarros e nas bebidas. Também subiram as tarifas públicas, como energia elétrica e serviços postais. Ao mesmo passo, o mecanismo de reajuste automático dos salários passou a ter regras mais rígidas.

Descontentes, milhares de pessoas que se reuniram nos arredores da agência do Banestado para acompanhar o desenrolar do caso gritavam palavras de ordem contra o governo e acabaram simpatizando com os ladrões. Eles se tornaram uma espécie de símbolos da revolta popular, alimentada pelo ressentimento atávico contra o sistema bancário — para muita gente, roubar um grande banco é um ato de vingança contra os poderosos.

Um personagem importantíssimo nessa história foi o jornalista Paulo Ubiratan Campos de Carvalho (1938-2010), gaúcho de Santa Maria que chegou a ser diretor da TV Piratini, no RS, antes de se mudar para o Paraná, em 1985. Na época, ele era repórter policial do jornal Folha de Londrina. Na ficção, Paulo é interpretado por Murilo Benício, e o filme toma uma licença poética: o protagonista acaba de ser demitido e está dentro do banco quando o assalto começa, porque iria sacar o dinheiro da sua rescisão. O drama se torna uma oportunidade de conseguir um furo de reportagem e salvar a sua carreira.

Quem lidera o assalto é o carismático Moreno, vivido por Christian Malheiros, o protagonista de Justino: Nos Bastidores do Reino, pelo qual ganhou o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado. A quadrilha tem sete integrantes, como Barba (papel de Robson Nunes), o mais agressivo do bando, e Ismael (personagem de Matheus Macena), que chega a flertar com uma refém — convém avisar de novo: há uma fricção constante de tom em Assalto à Brasileira, mas o humor acaba imperando sobre a tensão.

O elenco principal se completa com Paulo Miklos, que encarna o Comandante Fonseca, responsável pelo cerco policial e pelas negociações com os assaltantes, e Fernanda de Freitas, na pele de Tânia, a esposa de Paulo. Vale assistir às cenas pós-créditos, que mostram cenas reais daqueles tempos e trazem depoimentos atuais de quem foi refém. Pequeno spoiler: você verá que a ficção não exagerou tanto os fatos.

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Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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