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Como está o filhote de elefante-marinho que nasceu na Praia do Cassino há 15 dias | Zona Sul

GZH · Porto Alegre

01/11/2026 23:20 · Porto Alegre/RS

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Animal já apresenta mudanças na pelagem e pode ganhar até cinco quilos por dia, segundo coordenador de projetos ambientais

O filhote de elefante-marinho que nasceu na região da Querência, na Praia do Cassino, em Rio Grande, segue sendo monitorado por equipes ambientais e veterinários. Aos 15 dias de vida, o animal já apresenta mudanças na coloração dos pelos, que passam do preto, característico do nascimento, para tons mais prateados e acinzentados.

De acordo com Sérgio Curi, coordenador dos projetos Pinípedes do Sul e Tartarugas Marinhas, a mudança faz parte do desenvolvimento da filhote.

— Ela já está fazendo essa muda (...) ela nasceu com o pelo bem preto e agora já está fazendo essa mudança para ficar com a pelagem mais prateada, mais acinzentada, que é a dos animais depois do nascimento — explica Curi.

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O desenvolvimento também exige um gasto significativo de energia. Durante a amamentação, a filhote recebe os nutrientes necessários para crescer e acumular uma reserva de gordura que permitirá sua sobrevivência após a separação da mãe.

Segundo o coordenador, o filhote pode ganhar até cinco quilos por dia. Já a fêmea adulta pode perder entre cinco e dez quilos diariamente durante a amamentação, período em que deixa de sair para se alimentar e utiliza as próprias reservas energéticas para nutrir a cria.

— Está ganhando bastante peso. A gente sempre diz que existe uma média, mas não dá para afirmar exatamente. O filhote pode ganhar até cinco quilos por dia, e a fêmea pode perder de cinco a dez quilos por dia. Isso é normal, porque ela não está saindo para se alimentar e está gastando toda a energia na amamentação — detalha.

Permanência na praia

A previsão é de que a mãe permaneça na praia por aproximadamente mais uma semana para amamentar a filhote. Depois desse período, a fêmea deverá retornar ao mar para voltar a se alimentar e recuperar as energias.

— A previsão é que a fêmea fique amamentando aí, vamos dizer, mais uma semana, e depois retorne para o mar. Ela precisa voltar porque já perdeu bastante energia e já alimentou bem o animal — afirma Curi.

Mesmo após a partida da mãe, a filhote poderá permanecer na faixa de areia por mais alguns dias. Conforme o coordenador, os filhotes de elefante-marinho acumulam gordura e energia suficientes para passar cerca de dez a 15 dias sem se alimentar. Esse comportamento é comum nas colônias reprodutivas da espécie.

No caso do animal que nasceu no Cassino, porém, a situação exige atenção especial, já que o nascimento ocorreu fora de uma colônia reprodutiva.

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— O filhote ainda pode ficar na praia por mais alguns dias, porque também vai ter uma camada de gordura e energia para aguentar mais dez, 15 dias sem se alimentar. Isso é bem comum nas colônias. Claro que aqui estamos falando de um animal que nasceu fora da colônia, então vamos continuar monitorando — ressalta.

Acompanhamento ocorre diariamente

O monitoramento dos elefantes-marinhos ocorre diariamente, aproximadamente das 6h às 19h, em um trabalho conjunto entre equipes do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) e do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

A filhote e a mãe também passam por avaliações veterinárias diárias, realizadas por profissionais do Cram.

Curi destaca a participação da Secretaria de Município do Cassino, responsável pela construção de barreiras de areia para restringir o acesso ao local e reduzir os riscos provocados pela circulação de veículos.

— Foi muito importante, além do nosso trabalho, a participação da Secretaria de Município do Cassino, que fez todos os dias, incansavelmente, os morrinhos de areia, as marachas, para isolar o local, principalmente por causa da questão dos veículos — destaca.

O isolamento busca evitar perturbações durante a amamentação e o desenvolvimento da filhote, além de reduzir o risco de acidentes envolvendo os animais.

Elefantes-marinhos no litoral gaúcho

A presença de pinípedes — grupo que inclui elefantes-marinhos, lobos-marinhos e leões-marinhos — não é incomum no litoral do Rio Grande do Sul. Esses animais utilizam a faixa de areia para descansar durante seus deslocamentos e em períodos de permanência na costa.

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Há registros científicos de elefantes-marinhos da população da Patagônia que se dispersam por diferentes pontos do litoral da América do Sul. A principal colônia reprodutiva continental da espécie fica na Argentina.

Durante o período reprodutivo, as fêmeas procuram áreas em terra para dar à luz e amamentar os filhotes. Segundo Curi, elas podem começar a se reproduzir entre os três e os seis anos, com média próxima dos quatro anos.

Embora o nascimento na Praia do Cassino esteja sendo acompanhado pelas equipes ambientais, a ocorrência fora de uma colônia reprodutiva exige atenção especial. A presença do animal na praia, por si só, não permite determinar sua origem ou seu destino.

A orientação para moradores e banhistas é manter distância, não tocar nos animais e respeitar o isolamento da área. A aproximação de pessoas e a circulação de veículos podem provocar estresse, interferir no comportamento dos elefantes-marinhos e comprometer a segurança da mãe e da filhote.

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Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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