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Por que o RS tem dias frios em plena primavera mesmo sob efeito do El Niño? | GZH

GZH · Passo Fundo

02/11/2026 00:20 · Passo Fundo/RS

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Posição dos sistemas meteorológicos e entrada de massas de ar frio ajudam a explicar temperaturas médias abaixo da normalidade no Estado

A primavera avança pelo mês de outubro, mas o termômetro no Rio Grande do Sul parece ter esquecido do calendário. Mesmo com um El Niño forte em atuação, fenômeno que costuma trazer calor ao sul do país, as temperaturas médias seguem abaixo do esperado. Então, o que explica isso?

Para o meteorologista Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria, a resposta está na posição das áreas de chuva.

— A gente está tipicamente no lado mais frio desse sistema, ou seja, na região em que a temperatura é mais baixa. Pensando nas frentes, é como se a gente estivesse na retaguarda — explica.

Por que o El Niño não garante calor na primavera?

Antes de tudo, é preciso entender que o El Niño não funciona como um interruptor de calor. O fenômeno aquece mais o centro do Brasil, mas, aqui no Sul, o efeito de temperaturas mais altas aparece principalmente no inverno, quando há mais dias quentes.

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Na primavera, a história muda. Por ser uma estação de transição, o tempo fica mais instável, com muitas nuvens e episódios de chuva. Por isso, as temperaturas tendem a ficar dentro da normalidade e até levemente abaixo das médias históricas.

— Nenhum El Niño é igual ao outro. Quando a gente fala em El Niño, fala na condição média, no geral, para o período — pontua Murilo.

Neste ano, há mais um detalhe. A área de chuva mais volumosa está posicionada ao norte da Região Sul, sobre o Paraná. Dessa forma, o RS fica no setor sul do sistema, justamente onde o ar frio chega com mais força.

Frio deve continuar alternado com períodos amenos

Isso não significa, porém, que os dias gelados serão prolongados. As massas de ar frio são comuns na primavera, e o que se vê agora são episódios mais passageiros.

— A gente tem um período de um, dois dias, especialmente na manhã, em que a temperatura cai, e logo em seguida já tem um cenário de tempo mais ameno. Por mais que seja um período mais frio, não é muito persistente do ponto de vista de intensidade — pontua Lopes.

Chuva muito acima da média, efeitos do El Niño e preocupação com cheias: como será a primavera no RS

Enquanto isso, o calor intenso e duradouro também não deve dar as caras tão cedo. Como o tempo instável segue presente, o verão deve repetir a primavera, com temperaturas na média ou levemente abaixo dela.

— Não necessariamente a gente vai esperar períodos de calor muito intensos e prolongados nessas estações, especialmente de transição — afirma o meteorologista.

Chuva frequente nos próximos meses

Se a temperatura oscila, a chuva, por outro lado, tem trajetória mais clara. O El Niño de 2026 ja é considerado "muito forte" e pode atingir marca histórica.

Por isso, a tendência é de chuvas mais frequentes no restante da primavera e também no verão.

— Setembro já teve chuva acima da média, outubro também está tendo. A tendência é de que o restante da primavera e o verão tenham chuvas mais frequentes, com episódios que vão trazer acumulados altos — projeta.

O que fazer para proteger a próxima safra do El Niño

Em alguns momentos, pode até parecer que o fenômeno perdeu força. Isso acontece porque o clima global funciona como um quebra-cabeça: além do El Niño, entram em cena a oscilação antártica e a distribuição de águas aquecidas nos oceanos Índico e Atlântico.

— Nem sempre essas peças se encaixam iguais. Por mais que o El Niño seja o principal ator desse cenário global do clima, a gente tem essas alternâncias — explica.

Há ainda os sistemas de tempo, que passam em ciclos de poucos dias e influenciam se a chuva vai cair de forma seguida ou concentrada em temporais, com alguns dias secos depois. Apesar dessas oscilações, a tendência para a estação não muda.

— A tendência do clima é um fenômeno dentro da sua condição típica, trazendo mais chuva para o sul do Brasil durante a estação como um todo, e temperaturas dentro da média, especialmente para o Rio Grande do Sul — resume Murilo.

* Sob orientação e supervisão do jornalista Beto Azambuja

Publicado originalmente por GZH · Passo Fundo. Ler na fonte original ↗

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