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Saúde

Tradição e cuidados com o uso de ervas

Jornal O Alto Uruguai

21/10/2026 14:48 · Frederico Westphalen/RS

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Conhecimentos populares preservam o preparo de tinturas e elixires, mas a utilização exige atenção às propriedades, doses e possíveis riscos à saúde

O uso de plantas medicinais faz parte da cultura popular e atravessa gerações como uma alternativa tradicional de cuidado com a saúde. Espécies como boldo, carqueja, hortelã, melissa, marcela e espinheira-santa são conhecidas pela população e utilizadas em diferentes preparações, como chás, tinturas e elixires. Apesar da tradição, o uso dessas plantas exige cuidados, já que seus efeitos dependem da espécie, da forma de preparo e da quantidade utilizada.

O conhecimento sobre as ervas medicinais costuma ser transmitido entre familiares e comunidades, especialmente no meio rural. A identificação correta das espécies, a escolha das partes utilizadas e os métodos de conservação e preparo fazem parte desse saber popular, que permanece presente em diferentes regiões do país.

Diferentes plantas e formas de preparo

As plantas medicinais são tradicionalmente utilizadas para diferentes finalidades. Algumas espécies são popularmente associadas ao alívio de desconfortos digestivos, enquanto outras são empregadas em preparações relacionadas ao bem-estar, à circulação e à saúde respiratória. Entre as mais conhecidas estão a carqueja, o boldo, a tansagem, o alecrim, a melissa, a hortelã, a marcela, a espinheira-santa, a pitanga e a babosa. Cada espécie possui características próprias, e seu aproveitamento pode envolver folhas, cascas ou outras partes da planta.

Além dos chás, uma das formas tradicionais de utilização são as tinturas, preparações obtidas pela extração de componentes vegetais, geralmente com o uso de álcool. Já os elixires podem reunir diferentes ingredientes e espécies, conforme as fórmulas utilizadas. Entretanto, o fato de uma planta ser utilizada tradicionalmente não significa que todos os seus efeitos estejam cientificamente comprovados ou que seu consumo seja seguro para qualquer pessoa.

Conhecimento popular é preservado na região

Um exemplo da valorização desses saberes é o trabalho desenvolvido pelo grupo Bruxinhas de Deus a Serviço da Vida, criado em 2003. A iniciativa reúne mulheres agricultoras e professoras que compartilham conhecimentos sobre plantas medicinais e mantêm práticas tradicionais de coleta, secagem e preparo de tinturas e elixires.

O grupo começou a ser organizado com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Antes de iniciar as atividades, as integrantes participaram de 15 meses de estudos e vivências, período em que aprenderam fórmulas e técnicas com uma orientadora.

Desde então, os encontros semanais permitem a troca de experiências e a continuidade do trabalho. Entre as preparações tradicionais mantidas pelo grupo está um elixir digestivo que reúne espécies como açoita-cavalo, alecrim, cassaú, angico e tansagem. As fórmulas foram compartilhadas gratuitamente pela mestra que acompanhou a formação das participantes. O trabalho também envolve a identificação das plantas e os cuidados com a coleta, a secagem e o armazenamento dos ingredientes.

Trabalho coletivo mantém a tradição

A manutenção das atividades conta com a colaboração da comunidade, que contribui com plantas, frascos e outros materiais necessários para as preparações. Sem fins lucrativos e sem apoio financeiro do poder público, o grupo desenvolve suas ações de forma autônoma. Além das ervas medicinais, as integrantes utilizam o Reiki como prática complementar. A proposta do grupo está relacionada à preservação dos conhecimentos populares, ao trabalho coletivo e à valorização dos recursos naturais.

Uso de plantas medicinais exige cuidados

Embora sejam frequentemente associadas a tratamentos naturais, as plantas medicinais também possuem substâncias capazes de provocar efeitos no organismo. Dependendo da espécie, da quantidade consumida e das condições de saúde de cada pessoa, podem ocorrer reações adversas e interações com medicamentos. Outro cuidado importante está na identificação correta das plantas. Espécies semelhantes podem apresentar propriedades diferentes, o que aumenta os riscos quando a coleta e o preparo são realizados sem conhecimento adequado.

A utilização de tinturas e elixires também merece atenção, especialmente porque algumas preparações contêm álcool e combinam diferentes espécies vegetais. Por isso, o uso de plantas medicinais não deve substituir consultas, exames ou tratamentos prescritos por profissionais de saúde. A orientação é buscar acompanhamento qualificado antes de utilizar essas preparações, principalmente em casos de doenças crônicas, uso contínuo de medicamentos, gestação, amamentação ou tratamentos destinados a crianças.

Natural também exige cuidado

Identifique corretamente a planta: espécies semelhantes podem apresentar propriedades diferentes. Evite utilizar ervas cuja identificação seja desconhecida.

Cuidado com as quantidades: o consumo excessivo pode provocar efeitos adversos. A dose segura depende da espécie e da forma de preparo.

Atenção aos medicamentos: algumas plantas podem interferir na ação de remédios de uso contínuo, aumentando ou reduzindo seus efeitos.

Gestantes, crianças e idosos: esses públicos exigem atenção especial, pois determinadas plantas podem apresentar contraindicações.

Tinturas e elixires: preparações que contêm álcool ou combinam diferentes espécies exigem cuidados adicionais e orientação profissional.

Natural não significa inofensivo: mesmo plantas utilizadas há gerações podem causar intoxicações, alergias e outras reações.

Procure orientação profissional: antes de utilizar plantas com finalidade terapêutica, consulte um médico ou farmacêutico. Elas não devem substituir tratamentos prescritos.

Publicado originalmente por Jornal O Alto Uruguai. Ler na fonte original ↗

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