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Política da boa vizinhança | Pioneiro

GZH · Porto Alegre

01/11/2026 23:20 · Porto Alegre/RS

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Cordialidades como “por favor”, “com licença”, “obrigado” ou “de nada” são tão raras que, se ocorrem, nos surpreendem como um trovão

Poucos lugares são tão reveladores quanto os supermercados. A vida de verdade acontece ali, à sombra da multidão de desconhecidos. É onde sentimos no bolso a gangorra da inflação, que se materializa na boca do caixa.

As modalidades de pagamento são quase infinitas, pelo menos essa é a ideia que nos passam. Crédito, débito ou Pix, vale tudo. Até dinheiro e cheque, claro. Vale até troca, desde que respeitados os critérios do Código de Defesa do Consumidor. Só não vale surrupiar. Se bem que de vez em quando é possível flagrar alguém comendo grãos de uva só para ver se o fruto está mesmo doce.

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E como negar uma gentil degustação de um novo produto? De biscoitos e bolos a sucos e vinhos, faz-se de tudo para pegar o consumidor pelo paladar. Uns, mais do que outros, se mostram tão seduzidos que fingem curiosidade só para continuar beliscando os petiscos.

Nos dias de maior movimento, o trânsito de pessoas guiando carrinhos e cestinhos de compras é tão estressante quanto o tráfego de veículos nas horas de pico. Já vi, inclusive, gente usando o “veículo de compra” para atravancar o caminho do consumidor-opositor que também estava de olho no único pacote ali exposto na prateleira. Nem sempre é literal, mas na hora da compra, há produtos que são disputados no tapa. Peca-se até com o olhar, ensinava Cristo.

Aliás, pelo menos em Caxias do Sul, as pessoas pouco conversam no supermercado. Trocam olhares, geralmente de desconfiança ou até de investigação para ver o que o vizinho da fila ao lado está comprando. Cordialidades como “por favor”, “com licença”, “obrigado” ou “de nada” são tão raras que, se ocorrem, nos surpreendem como um trovão.

Quem nunca se pegou olhando o cestinho de um vizinho da fila levando um pacote de massa, um rolo de durex, seis cervejas e quatro bombons e não ficou se perguntando: “Será que esse cara aí ficou constrangido de vir ao mercado só para comprar cerveja e então resolveu pegar mais umas coisas aleatórias para sair ileso, sem que ninguém ficasse olhando?”. Eu já, confesso. Estive no papel de um e do outro.

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Disso tudo acho graça. Mas o que me pega de jeito mesmo é quem larga o carrinho em qualquer canto. Poucos entendem que o uso do “veículo de compra” deve respeitar as regras da política da boa vizinhança.

Na fase adulta, o “eu”, em tese, deveria deixar de ser “o mundo” para habitar o planeta como mais um ser humano que preza pela convivência com seus pares em sociedade.

Talvez, para alguns desses adultos, seja mesmo difícil ensinar as crianças a guardar seus brinquedos, já que não conseguem guardar os carrinhos em seus devidos lugares depois das compras.

Ou sou só eu que reparo nisso?

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Publicado originalmente por GZH · Porto Alegre. Ler na fonte original ↗

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