Ansiedade entre jovens exige atenção da família e da escola
20/10/2026 08:47 · Frederico Westphalen/RS
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Pressões sociais, cobranças com o futuro e dificuldades nas relações podem contribuir para o sofrimento psíquico; acolhimento e acompanhamento profissional são fundamentais
A saúde mental de crianças e adolescentes tem despertado preocupação diante dos desafios enfrentados nessa etapa da vida. Um estudo realizado com 374 estudantes de 11 a 14 anos em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, identificou sintomas de ansiedade em 46,3% dos participantes e de depressão em 26,2%. Os resultados reforçam a importância da atenção à saúde mental e das redes de apoio durante a adolescência.
Para a psicóloga Cláudia Reis Flores, professora do curso de Psicologia da URI/FW, a ansiedade deve ser compreendida considerando fatores biológicos, psicológicos, familiares, sociais e ambientais. O ritmo acelerado da vida, as cobranças por produtividade e as comparações nas redes sociais podem contribuir para a sobrecarga emocional dos jovens.
Quais são os principais sintomas?
A ansiedade pode se manifestar de diferentes formas, e a intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra. Entre os sinais mais comuns estão:
· Emocionais: preocupação excessiva, medo constante e irritabilidade;
· Cognitivos: dificuldade de concentração e pensamentos persistentes;
· Físicos: palpitações, falta de ar, sudorese e tensão muscular;
· Comportamentais: inquietação, alterações do sono e afastamento de atividades sociais.
Sentir ansiedade em determinados momentos faz parte da experiência humana. A preocupação merece atenção quando se torna persistente, difícil de controlar e interfere nos estudos, no sono, nas relações e na rotina.
O que os pais devem observar?
A adolescência envolve transformações físicas, emocionais e relacionais. Entretanto, mudanças persistentes no comportamento podem indicar sofrimento psíquico. Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento, a perda de interesse por atividades antes prazerosas, as crises frequentes de choro, as alterações no sono e no apetite e o medo excessivo de críticas.
Essas manifestações não significam necessariamente a presença de um transtorno mental. É importante observar sua duração, intensidade e impacto na vida do jovem, considerando também situações de bullying, exclusão e conflitos familiares.
A professora Eliane Cadoná, coordenadora do curso de Psicologia da URI, ressalta que o sofrimento não deve ser tratado de forma isolada, sem considerar o contexto em que o adolescente está inserido. Para ela, minimizar os sentimentos ou exigir que o jovem resolva tudo sozinho pode dificultar a busca por ajuda.
Como oferecer apoio?
O diálogo e a escuta sem julgamentos são fundamentais para acolher os adolescentes. Cláudia destaca que as diferenças entre gerações podem dificultar a compreensão dos conflitos juvenis, mas os pais precisam estar disponíveis para ouvir e reconhecer as dificuldades dos filhos.
Algumas atitudes podem contribuir para o cuidado:
· Ouvir sem minimizar os sentimentos;
· Evitar cobranças excessivas e julgamentos;
· Estimular relações familiares baseadas no diálogo;
· Manter contato com a escola para identificar mudanças de comportamento;
· Buscar ajuda profissional quando o sofrimento persistir.
A escola também tem papel importante na identificação de sinais e na promoção de ações de prevenção. A articulação entre familiares, professores e profissionais da saúde pode favorecer o acolhimento e o encaminhamento adequado.
Hábitos que favorecem o bem-estar
No transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a preocupação excessiva e difícil de controlar pode envolver estudos, relacionamentos, saúde e futuro profissional. A sobrecarga de responsabilidades e a falta de tempo para descanso e convivência podem agravar o sofrimento.
Entre os hábitos que favorecem o bem-estar estão reservar tempo para o lazer, manter uma rotina equilibrada, reconhecer os próprios limites, reduzir as comparações nas redes sociais e cultivar relações que permitam compartilhar sentimentos e dificuldades.
Essas práticas não impedem, por si só, o desenvolvimento de transtornos nem substituem o tratamento. Quando a ansiedade compromete a rotina, é importante procurar avaliação psicológica e, quando indicado, psiquiátrica.
Para as especialistas, o acolhimento é essencial para que os jovens compreendam que não precisam enfrentar suas dificuldades sozinhos. Quando há manifestações de autolesão ou falas sobre suicídio, a busca por ajuda especializada deve ser imediata.
Publicado originalmente por Jornal O Alto Uruguai. Ler na fonte original ↗