Depois de supersafra e preços baixos, produtores de cebola esperam ciclo mais rentável em São José do Norte | Zona Sul
01/11/2026 11:00 · Pelotas/RS
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Colheita deve começar entre 15 e 20 de novembro em cerca de 1,5 mil hectares cultivados no município
A colheita da cebola em São José do Norte, no sul do Estado, deve começar na segunda quinzena de novembro, com expectativa de uma boa safra e de recuperação dos preços pagos aos produtores.
Maior produtor gaúcho da hortaliça, o município não deve repetir o volume histórico registrado no ciclo passado, mas a redução na oferta pode representar um cenário mais favorável para a renda dos agricultores.
A previsão é de que a cultura ocupe aproximadamente 1,5 mil hectares no município.
Conforme a Emater, a produção da última safra ultrapassou 60 mil toneladas, resultado considerado excepcional. O volume elevado, porém, acabou provocando uma queda nos preços de comercialização, que ficaram abaixo dos custos de produção em muitas propriedades.
— Embora não se espere uma supersafra para este ano, como foi no ano passado, a recuperação dos preços anima os produtores. Na safra passada, tivemos preços extremamente baixos, que não cobriram sequer os custos de produção das lavouras — explica Pedro Farias, engenheiro agrônomo e extensionista rural da Emater em São José do Norte.
Segundo o técnico, a expectativa é de que os valores voltem a patamares que permitam aos agricultores cobrir as despesas e obter margem para investir na atividade.
— Tivemos uma condição atípica no ano passado, de supersafra, que não tem tendência de se repetir, considerando também as outras regiões produtoras do país. A expectativa é que os preços voltem a uma normalidade, que cubram os custos de produção e ainda sobre para o produtor poder se capitalizar — afirma.
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Preços ao consumidor podem subir
A possível valorização, no entanto, também pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor do que a registrada no ciclo anterior, o preço da cebola nas prateleiras pode apresentar leve aumento.
— Pode ter um leve aumento no preço para o consumidor devido à safra não ser excessiva como foi no ano passado. Mas vemos como muito importante que o agricultor seja remunerado para continuar na atividade e garantir, a médio e longo prazo, uma oferta constante do produto — avalia.
Atividade sustenta centenas de famílias
A produção de cebola é uma das principais atividades econômicas de São José do Norte e atravessa gerações de agricultores. Para muitas famílias, o cultivo representa uma tradição que começou ainda na infância e permanece como principal fonte de renda.
É o caso de Flávio Machado, produtor da comunidade de Vila Nova, que trabalha com a cultura desde criança, acompanhando a atividade desenvolvida pelos familiares.
— Toda a minha família sempre produziu cebola, sempre plantou cebola. Foi uma das principais atividades da nossa família — conta.
Diante das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, especialmente em relação às condições climáticas, o produtor afirma que a busca por alternativas de cultivo passou a fazer parte da realidade das propriedades.
— Hoje, com o advento das dificuldades climáticas, a gente começa a buscar outras alternativas, ter outras produções juntamente com a cebola — relata.
A diversificação é uma das estratégias adotadas por agricultores para reduzir a dependência de uma única cultura e enfrentar as oscilações que afetam a produção e a comercialização.
Neste ano, o desenvolvimento das lavouras também foi marcado por episódios de chuva excessiva, vendavais e ocorrências pontuais de granizo. As condições climáticas chegaram a prejudicar algumas propriedades, principalmente durante o período de transplante das mudas.
Com isso, a previsão é de que a colheita ocorra dentro do calendário habitual, com início efetivo entre os dias 15 e 20 de novembro. O trabalho deve avançar pelos meses seguintes, conforme o estágio de desenvolvimento das lavouras.
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