Polícia conclui inquérito de duplo homicídio em Pelotas e indicia atirador e homem que forneceu a arma | Zona Sul
01/11/2026 23:20 · Pelotas/RS
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Análise de câmeras revelou que vítimas deram início às agressões com soqueira e bastão retrátil, mas reação com arma de fogo foi "desproporcional"
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Pelotas remeteu ao Poder Judiciário o inquérito policial que apurava as mortes de Alisson Gonçalves, 32 anos, e Ícaro Rodrigues Moraes, 18 anos. Os detalhes foram detalhados no começo da tarde desta quarta-feira (21) em coletiva de imprensa. O crime ocorreu na madrugada do dia 5 de outubro, em frente a uma casa noturna na Rua Anchieta, no Centro da cidade.
Apontado como autor dos disparos, Samuel Bento Abud, 23 anos, que atuava informalmente como segurança e está preso preventivamente, foi indiciado por dois homicídios dolosos. A investigação também identificou o homem de 29 anos que entregou o armamento a Samuel no momento da briga: ele foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo.
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Esse segundo envolvido foi preso na terça-feira (20) em uma operação paralela da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) por descumprimento de medida protetiva. O nome dele não foi divulgado pelas autoridades.
A equipe da DHPP acompanhou a diligência e cumpriu mandado de busca e apreensão na casa dele. A arma do crime não foi localizada, mas o celular do investigado foi apreendido e passará por perícia para extração de dados.
Imagens revelam dinâmica diferente da versão inicial
Conforme a delegada titular da DHPP, Walquiria Meder, o pedido prévio de prorrogação do prazo serviu para checar minuciosamente dezenas de câmeras de segurança de múltiplos ângulos. O confronto das imagens com os depoimentos alterou o cenário trazido inicialmente por testemunhas — um casal de policiais que acompanhava as vítimas na festa e sustentava que elas tinham apenas tentado separar uma briga.
— As imagens mostraram que realmente não foi bem assim. As vítimas participaram ativamente das agressões e deram início aos atos físicos que antecederam os disparos. Longe de querer culpá-las, pois a reação com arma de fogo foi totalmente desproporcional, mas essa tragédia traz uma reflexão sobre o uso da violência. As vítimas agrediram quatro pessoas usando soqueira e bastão retrátil — revelou a delegada.
As câmeras mostraram ainda que o grupo das vítimas chegou a se afastar do local por três vezes. Uma policial feminina do grupo tentou dissuadi-los de retornar, mas o grupo voltou e retomou a briga corporal.
Quatro disparos e reconstituição do confronto
A perícia e as imagens confirmaram que Samuel efetuou quatro disparos. O primeiro tiro foi efetuado de trás de um poste próximo à casa noturna, momentos antes de atingir os jovens. O segundo e o terceiro tiros foram efetuados durante a luta corporal, atingindo e matando Alisson e Ícaro. O último disparo foi efetuado na direção do casal de policiais que estava na esquina oposta.
Uma das policiais reagiu e efetuou um disparo para o alto com o objetivo de dispersar a confusão. A conduta foi analisada pela DHPP e não haverá responsabilização dos agentes, pois o disparo teve caráter estritamente de dissuasão.
Delegada esclarece rito da prisão e apresentação da defesa
A delegada Walquiria Meder também detalhou a cronologia da prisão de Samuel. Logo após o crime, a polícia fez buscas em diversos endereços, mas o investigado fugiu e desativou redes sociais, o que motivou o pedido de prisão preventiva ao Judiciário.
Dois dias após os fatos, Samuel apresentou-se na delegacia ao lado do advogado Rafael Leite. Como o mandado de prisão preventiva ainda pendia de análise e assinatura do juiz no sistema, ele prestou depoimento e foi liberado.
Cerca de uma hora depois, com a decisão judicial em mãos, os agentes foram até a casa de um familiar do investigado e efetuaram o cumprimento do mandado.
O inquérito policial segue agora para o Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia formal à Justiça.
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