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"Foi um projeto de vida": bar anuncia fechamento após quase seis anos em Pelotas | Zona Sul

GZH · Pelotas

02/11/2026 01:20 · Pelotas/RS

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Empresário Juliano de Oliveira Drummond prepara programação musical para a despedida e planeja abrir novo negócio em São Lourenço do Sul em dezembro

Depois de quase seis anos de funcionamento, o Bloco, bar que mistura gastronomia e entretenimento em Pelotas, anunciou o encerramento definitivo de suas atividades. A despedida será em 1º de novembro, mas, antes de fechar as portas, o estabelecimento prepara uma programação especial para reunir clientes, amigos e músicos que fizeram parte de sua trajetória.

O anúncio foi feito nas redes sociais e marca o fim de um projeto idealizado pelo empresário pelotense Juliano de Oliveira Drummond, conhecido como Juca. Segundo ele, a decisão envolve uma combinação de fatores, entre eles o aumento dos custos de operação, a redução do consumo e questões relacionadas ao imóvel.

— Foi muito bom o tempo que tivemos no Bloco. Conheci muita gente legal, muitas pessoas trabalharam com a gente. Claro que é triste, mas as questões do fechamento são muito maiores do que apenas as finanças. Foram várias coisas acontecendo ao longo deste ano que deram sinais de que o ciclo precisava se encerrar — conta.

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Uma despedida com música e reencontros

Em vez de simplesmente encerrar as atividades, Juca decidiu transformar as últimas semanas em uma celebração da história do estabelecimento.

A programação reúne apresentações musicais e convidados que já passaram pelo espaço. No último fim de semana de funcionamento, as atividades serão realizadas de quinta-feira a domingo, quando o Bloco abrirá as portas pela última vez.

A gente pensou em fazer alguns eventos, chamar a galera que já tocou aqui para tocar de novo e se despedir com chave de ouro

Proprietário do Bloco

O Bloco nasceu de um sonho antigo do empresário. A ideia surgiu quando ele tinha cerca de 23 anos e ainda planejava morar em Porto Alegre. Sem recursos para colocar o projeto em prática, acabou adiando os planos.

Anos depois, enquanto trabalhava e morava no Rio de Janeiro, retomou a ideia durante uma passagem de férias por Pelotas. O empreendimento foi inaugurado em fevereiro de 2021 e se tornou seu primeiro negócio.

— Foi um projeto de vida. Eu sempre quis ter, consegui fazer e vivi tudo isso. Vou sentir falta das amizades, das pessoas, dos eventos, de conhecer gente nova. Mas são ciclos, começam e têm fim — afirma.

Consumo menor e custos mais altos

Além da despedida, o encerramento do Bloco reflete, na avaliação do empresário, as dificuldades enfrentadas por estabelecimentos da noite pelotense.

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Juca relata que o movimento de clientes permaneceu relativamente estável ao longo dos anos, mas o valor médio gasto por pessoa caiu significativamente.

Segundo os números apresentados por ele, o tíquete médio, que era de aproximadamente R$ 93 em 2023 e 2024, passou para R$ 58 atualmente, uma redução de cerca de 38%.

— O poder de compra do público está muito baixo. O custo dos insumos aumentou absurdamente e a gente não consegue repassar tudo isso. Tem produto que dobrou de custo, mas não dá para dobrar o preço. A margem vai ficando cada vez menor — relata.

O empresário estima que o estabelecimento receba entre 1,3 mil e 1,6 mil clientes por mês. A mudança, segundo ele, também aparece no comportamento do público, que passou a chegar mais perto do início das apresentações e a permanecer menos tempo no local.

— Antes, as pessoas chegavam às seis, sete horas para conseguir uma mesa. Hoje, muitas chegam quando o músico está começando a tocar, para ficar menos tempo e gastar menos — observa.

Atualmente, o Bloco mantém sete trabalhadores diretos, além de profissionais contratados para eventos. Para Juca, o custo de manter uma estrutura desse porte se tornou cada vez mais difícil de sustentar.

Planos para o verão

Apesar do encerramento, Juca não pretende abandonar o setor. O próximo projeto já tem destino: São Lourenço do Sul, onde o empresário planeja inaugurar, em dezembro, o Bloco Verano, voltado à temporada de verão.

Ele acredita que o movimento turístico e os custos operacionais menores podem favorecer a nova operação.

— Estou bem empolgado com São Lourenço. É uma novidade, novos ares. No verão, as pessoas acabam direcionando um dinheiro para as férias e para o lazer. Além disso, os custos de lá devem ser bem menores — explica.

Depois da experiência em São Lourenço do Sul, a intenção é voltar a investir em Pelotas, mas com um formato diferente.

A proposta é criar um espaço menor, com atendimento mais reservado, estrutura reduzida e capacidade para receber menos pessoas. A mudança, segundo Juca, busca adequar o negócio à realidade atual do consumo.

— A ideia é abrir outro Bloco aqui, mas com uma proposta bem diferente. Um lugar menor, mais enxuto, com um bom cardápio e um atendimento mais discreto. Assim, conseguimos diminuir os custos e não precisar cobrar valores tão altos pelos produtos — projeta.

Por enquanto, o foco está nas últimas apresentações e na despedida do espaço que marcou sua trajetória como empreendedor.

— Vou sentir falta de tudo. Das amizades, dos eventos, das pessoas que conheci. Foi um lugar que me proporcionou muita coisa boa. Mas faz parte da vida. O ciclo se encerra e ficam as lembranças — conclui.

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Publicado originalmente por GZH · Pelotas. Ler na fonte original ↗

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