Garota Poltergeist: a história da jovem conhecida por objetos se movendo sem explicação e sons misteriosos | GZH
12/08/2025 16:00 · Santa Rosa/RS
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Leonice Fitz ganhou o apelido após mostrar habilidades inexplicáveis à época e surpreender a comunidade de Santa Rosa
Há 15 anos, morria a protagonista de uma história que surpreendeu a região de Santa Rosa, no noroeste do Estado, e ganhou repercussão nacional no fim da década de 1980. Leonice Fitz ficou conhecida como a Garota Poltergeist por mexer objetos e provocar barulhos sem sequer encostar em algo. Ela faleceu em 26 de junho de 2010, aos 35 anos, devido a um câncer ósseo.
O caso virou notícia em 1988, quando Leonice tinha 13 anos e morava, junto à família, no Rincão da Boa Vista, no interior de Santa Rosa. Uma reportagem chegou a passar no programa Fantástico.
Até hoje, circulam nas redes sociais vídeos que mostram a menina deitada em um colchão que se mexe, com a coberta "dançando" sobre seu corpo (veja abaixo).
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Em 22 de abril de 1988, a família contou ao jornal Zero Hora que, em novembro de 1987, começaram a aparecer papéis picados embaixo da cama da filha, sem explicação aparente. Depois, vieram os ruídos nas paredes, as lâmpadas que explodiam e os baldes de água que se locomoviam. Em outra entrevista, para documentário, a mãe, Ema Fitz, disse que notava que a filha era diferente das outras crianças desde pequena.
Ainda em 22 de abril de 1988, o jornal noticiava que as "manifestações paranormais" haviam acabado, com a ajuda do padre Edvino Friderichs, parapsicólogo jesuíta. Mas, em reportagem publicada 22 anos depois, em 2010, a já adulta Leonice destacou que ainda conseguia usar seus poderes:
— Se quiser, desligo aquela lâmpada, eu desligo. Mas tenho medo de fazer isso e não parar mais. Aí, quem vai me ajudar?
"Não vou me esquecer nunca mais"
No final da década de 1980, o radialista Luís Evandir Rodrigues da Rosa, conhecido como Chico, trabalhava na Rádio Noroeste, de Santa Rosa — onde segue até hoje, aos 59 anos.
Ele lembra que os pais da menina procuraram ajuda de um comunicador da rádio porque estavam gastando boa parte dos rendimentos com o que a filha quebrava dentro de casa — ela estourava com frequência os bicos de luz. A menina também não ia mais à escola por conta de peripécias que assustavam colegas. A família queria saber o que fazer. O caso foi para o ar.
Chico conta que, junto a colegas, começou a frequentar a casa da família Fitz para entender os fenômenos que a menina produzia. Era o lençol que mexia e se emaranhava na adolescente, o colchão que levantava as pontas, os pratos que quebravam e, certa vez, algo ainda mais marcante para o radialista:
— Eu e a minha ex-mulher estávamos sentados em um baú daqueles antigos, uns 30 quilos. E aí começamos a ver a cena… meu Deus, de repente o baú levantou, onde eu e a minha ex-mulher estávamos sentados. Ele começou a flutuar uns 30 centímetros.
Em outro momento, segundo ele, viu um ovo flutuar, girar e, depois, se espatifar contra a parede.
— O que eu vi, as cenas que eu vi a Leonice fazer, eu não vou me esquecer nunca mais na minha vida e acho que nunca mais vou ver isso — destaca Chico, que diz ter criado uma amizade com Leonice.
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Para ele, a menina era "poderosa", mas não soube controlar todo o poder que tinha. Chico afirma ainda que, quando o padre Edvino apareceu, isolou a menina e "tirou ela de circulação".
Para além dos fenômenos, o radialista diz que Leonice era uma "menina do Interior", meiga, ingênua, que se divertia com o que acontecia, integrante de uma família humilde, decente, "que não tinha muita instrução". De acordo com Chico, a casa onde os Fitz moravam não existe mais, mas algumas estruturas seguem erguidas no local.
Vida normal
Repórter à época em que o caso ganhou repercussão, Elodio Zorzetto, hoje aos 68 anos, lembra da menina tímida, de poucas palavras e "apavorada com o que estava acontecendo", quando esteve na casa da família Fitz para conhecer a história. Não apenas ele, mas um grupo de jornalistas de diferentes veículos de comunicação estiveram no local no mesmo dia.
— Tinha aquela paisagem característica do interior de Santa Rosa. Muita soja, muitas colinas, estrada de chão e uma casinha muito humilde, muito simples, perdida ali. Não era um bairro, não era nada, era uma casinha perdida. Fomos recebidos pela família: pai, mãe e essa menina de 13 anos. Conversamos ali com os três e chegou uma certa hora da entrevista em que alguém pediu para a menina se ela podia demonstrar na prática o que ela podia fazer — relata.
Nesse momento, de acordo com ele, Leonice deitou na cama dela e se cobriu com a coberta até o pescoço. De repente, o colchão começou a levantar em um canto e as cobertas se mexeram (veja vídeo acima).
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Elodio diz que todos que estavam no local ficaram de "olho aberto, arregalado".
Após pedirem para ela demonstrar o que mais fazia, o som de algo arranhando as paredes da casa começou a ser ouvido.
— Um jornalista disse para o outro: "Dá uma olhada para o lado de fora, se tem alguém ali arranhando". Um, não lembro quem, correu, olhou e disse: "Não, não tem nada aqui, não tem nada" — conta.
Para Elodio, longe de fake news ou fraude, a família parecia ter convocado a imprensa como um "grito de socorro", a fim de encontrar alguém que pudesse resolver a situação da menina.
— Eu vi que as pessoas da família eram simples, humildes e muito preocupadas com a vida da filha porque eles não sabiam o que ia acontecer. Ela queria uma vida normal, então queria ajuda. Era esse o objetivo deles, eram pessoas que queriam a vida normal, como os outros. E ela não tinha a vida normal e a família não tinha a vida normal. Tanto que eles meio que se isolaram e não se integravam à comunidade e tal por causa disso — afirma.
A repercussão
Quando a história ganhou repercussão, o padre Edvino Friderichs, especialista na investigação de situações como aquela, foi a Santa Rosa. Em reportagem na Zero Hora de 22 de abril de 1988, ele classificou aquele como "um caso normal e corriqueiro de parapsicologia". Ele explicou que toda pessoa tem poderes como a telecinesia ou telergia (capacidade de mover objetos com a força da mente), mas que nem todos têm a capacidade de manifestá-los.
O padre disse, ainda, que submeteu a menina a uma terapia de relaxamento neuromuscular. O tratamento, conforme revelou à época, consistia "em relaxamento físico psíquico, através de sugestões ao inconsciente".
— Conduzi-a, em espírito, para um lugar ameno, fazendo-a imaginar uma linda fazenda, com a vista de um morro com plantas, um lago, arbustos e flores — pontuou.
Em 23 de junho de 1988, Zero Hora informava que os fenômenos haviam se tornado mais intensos. A menina teria movimentado objetos pontiagudos, como faca e tesoura, que apareciam ao seu lado na cama e até sobre seu pescoço. A família voltou a buscar ajuda do padre, desta vez, indo em Porto Alegre, no Colégio Anchieta, onde ele morava na Casa Paroquial.
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Zero Hora entrou em contato, em julho e agosto de 2025, com a escola atrás de documentos que o religioso possa ter deixado, mas não teve retorno.
Nas sessões, segundo o estudioso, a menina ouvia recomendações, como se distrair, pensar em coisas positivas e confiar em Deus. O conselho mais importante, de acordo com ele, era que Leonice se convencesse de que estava curada e de que não tornaria a repetir a movimentação de objetos pela força do pensamento.
— O problema é que ela acha graça quando isso acontece, sem levar em conta que se trata de um desequilíbrio físico e psíquico — afirmou o padre, à época.
Toda a história fazia um grande número de curiosos irem até a casa da família, o que causou transtornos. Os familiares chegaram a colocar uma placa: "A menina não está". Certo dia, um parente entrou armado no terreno e expulsou todo mundo.
Em episódio da série Histórias Extraordinárias, da RBS TV, em 2011, a mãe de Leonice, Ema, falou sobre os arranhões e batidas nas paredes:
— A gente perguntava o que que era, aquilo respondia, falava, não era ela. A gente dizia "bate uma vez", batia. "Bate duas vezes", batia. "Bate três vezes", batia três vezes. "Para", parou.
Quando adulta, Leonice começou a trabalhar como empregada doméstica e, depois, com um tipo de consultório espiritual. Ela também se casou e passou a morar em uma área mais central da cidade.
Assim como no início, toda vez que a história vem à tona, leva a opiniões diversas sobre o que se passava com a menina e a veracidade de suas "habilidades". Os feitos de Leonice nunca tiveram uma explicação definitiva — seja sobrenatural ou científica.
Em 2010, em entrevista à Zero Hora, Leonice, doente, não gostava de lembrar da menina que atraiu multidões. Ela disse que pagou alto pelos seus poderes e se penalizou:
— Por que tive que ser diferente dos outros?
Publicado originalmente por GZH · Santa Rosa. Ler na fonte original ↗