Finalistas ao Empresário do Ano destacam trajetórias
22/10/2026 08:49 · Frederico Westphalen/RS
Jornal ainda sem índice
A ausência de índice não significa que a notícia seja falsa ou verdadeira.

Vinícius De Marchi, da De Marchi Móveis, e Ivar Peron, da Taura, participaram de entrevista ao AU e falaram sobre expansão dos negócios, inovação e desafios do setor industrial
Dois dos cinco finalistas ao Prêmio Empresário do Ano 2026 participaram de uma entrevista ao vivo no estúdio do jornal O Alto Uruguai para compartilhar suas trajetórias e discutir os desafios do empreendedorismo em Frederico Westphalen. O empresário Vinícius De Marchi, da De Marchi Movelaria de Luxo, e Ivar Peron, da Taura, apresentaram os investimentos realizados em suas empresas.
Promovida pela Associação Empresarial de Frederico Westphalen (AEFW), a premiação será entregue no dia 6 de novembro. Durante a conversa, os empresários também abordaram questões como sucessão familiar, qualificação profissional, tecnologia, infraestrutura e a necessidade de políticas que estimulem a instalação e a expansão de indústrias no município.
De uma pequena estofaria à movelaria de luxo
A história da De Marchi começou em 1973, quando o avô de Vinícius fundou uma pequena estofaria, que chegou a contar com dois colaboradores. Posteriormente, o pai assumiu a administração e incorporou a fabricação de móveis às atividades da empresa.Vinícius ingressou no negócio familiar em 2018, inicialmente como montador de móveis. Enquanto cursava Administração, passou a estudar possibilidades de expansão e identificou no setor moveleiro uma oportunidade de crescimento.
Em 2022, assumiu integralmente a empresa, após adquirir a participação do pai. No mesmo ano, iniciou um projeto de ampliação, com a compra de um terreno no loteamento industrial de Frederico Westphalen. A nova fábrica foi inaugurada em 2024, consolidando a atuação da De Marchi Movelaria de Luxo. Atualmente, a estrutura possui 1.700 metros quadrados, e a empresa já adquiriu outro terreno para uma futura expansão. A produção de estofados também foi mantida e segue contando com a participação do avô de Vinícius, hoje com 85 anos.
Segundo o empresário, conciliar o legado familiar com a modernização do negócio exigiu dedicação, planejamento e capacidade de tomar decisões. Entre os investimentos recentes estão a implantação de um sistema integrado de gestão, que permite acompanhar as etapas de produção, e a utilização de inteligência artificial em processos de desenvolvimento de projetos. A empresa também passou a ampliar sua atuação junto a lojistas, além do atendimento direto ao consumidor.
A sustentabilidade é outra prioridade. A indústria investiu em energia solar, captação de água da chuva e um sistema de exaustão de pó. Os resíduos recolhidos são destinados a empresas do setor cerâmico, que os reutilizam em seus processos produtivos.
Vinícius destaca que o crescimento da empresa está diretamente relacionado aos valores transmitidos pelas gerações anteriores. "Os princípios que ele me ensinou são ser honesto nas negociações. Isso é um dos princípios que me permitiu também ter esse crescimento", afirmou, ao mencionar os ensinamentos recebidos do pai.
Taura completa 20 anos com atuação nacional e internacional
A trajetória da Taura também começou em uma estrutura familiar. Fundada em 2006, a empresa iniciou suas atividades no porão da residência da família Peron, com a produção artesanal de cuias de couro costuradas à mão.
Duas décadas depois, a indústria possui uma estrutura de aproximadamente 4.500 metros quadrados em Frederico Westphalen, onde mantém cerca de 70 colaboradores. A empresa também possui operações em outras cidades, incluindo um centro de distribuição em Cuiabá, uma unidade industrial em Santa Rosa e uma loja em Passo Fundo.
Conforme Ivar Peron, a expansão ocorreu a partir da diversificação dos produtos e da busca por novos mercados. Além das cuias, a Taura passou a produzir e comercializar bombas, garrafas térmicas e acessórios para chimarrão e tererê. Atualmente, a marca está presente em todos os estados brasileiros e exporta para mais de dez países. Segundo o empresário, a Taura é hoje a maior indústria de cuias e artigos para chimarrão do Brasil e ocupa a segunda posição entre os importadores nacionais de garrafas térmicas.
Um dos principais desafios foi ampliar a produção de um produto tradicionalmente artesanal. Para isso, a empresa investiu em equipamentos de gravação a laser, prensas automáticas e novas tecnologias industriais. A produção de cuias ultrapassa mil unidades por dia. A empresa também passou a atuar em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o plantio e a colheita da matéria-prima até a industrialização e a distribuição.
Em outubro de 2025, a Taura inaugurou uma ampliação de 2 mil metros quadrados em seu centro de distribuição. Ivar destaca que a tecnologia foi fundamental para aumentar a capacidade produtiva sem comprometer a qualidade dos produtos. Além dos equipamentos industriais, a empresa investiu em sistemas de gestão, inteligência artificial e capacitação das equipes. "Ninguém cresce sozinho. Eu devo esse crescimento que nós tivemos a toda a nossa equipe, a todos os nossos colaboradores e à nossa equipe comercial espalhada por esse Brasil todo", ressaltou.
Empresários defendem mais incentivos e infraestrutura
Além das histórias de crescimento, a entrevista abriu espaço para uma discussão sobre as condições oferecidas às indústrias de Frederico Westphalen. Os dois empresários avaliaram que o município possui potencial de desenvolvimento, mas precisa avançar em infraestrutura, incentivos e aproximação entre o poder público e a iniciativa privada.
Vinícius citou Chapecó, em Santa Catarina, como exemplo de município que conseguiu ampliar sua atividade econômica e atrair investimentos. Na avaliação dele, Frederico Westphalen precisa criar condições mais competitivas para estimular a instalação de novas indústrias e evitar que empresas locais busquem oportunidades em outras cidades. "Se nós não tivermos a indústria fortalecida com benefícios que tragam indústrias para cá, ninguém vai querer empreender", afirmou.
O empresário também mencionou a dificuldade de contratação de mão de obra e defendeu maior aproximação entre o ensino e as atividades industriais. Para ele, é necessário valorizar a formação técnica e apresentar aos jovens as oportunidades profissionais existentes dentro das fábricas.
Ivar compartilhou uma avaliação semelhante e destacou a necessidade de melhorar a infraestrutura dos distritos industriais, especialmente em relação à logística e à mobilidade dos trabalhadores. Uma das demandas apresentadas foi a implantação de transporte urbano que facilite o deslocamento de moradores de diferentes bairros até as empresas instaladas nas áreas industriais. "Eu penso que Frederico hoje comporta e é necessário um transporte urbano", afirmou.
O empresário também sugeriu que o município avalie a possibilidade de parcerias entre os setores público e privado para viabilizar melhorias. Segundo ele, existe disposição da classe empresarial para participar de discussões e contribuir com soluções. Ivar defendeu ainda uma atuação mais próxima das secretarias municipais junto às indústrias, para identificar as principais dificuldades e construir medidas que favoreçam o desenvolvimento econômico. "Eu acredito muito que Frederico precisa amadurecer ainda bastante na questão do incentivo para as empresas", avaliou. Para o empresário, o fortalecimento industrial também gera reflexos positivos em outros segmentos, como comércio, mercado imobiliário e serviços.
Reconhecimento valoriza o trabalho das equipes
Ao comentar a indicação ao Prêmio Empresário do Ano, Vinícius afirmou que o reconhecimento representa um incentivo para continuar investindo na empresa e no município. "Eu me sinto muito feliz, muito honrado de estar entre os cinco. A gente trabalha arduamente todos os dias, sem pensar em ser reconhecido, mas pensando em ver o crescimento", declarou. O empresário também destacou sua ligação com Frederico Westphalen, município onde pretende continuar vivendo e desenvolvendo seus negócios.
Para Ivar, que recebe a indicação pelo segundo ano consecutivo, estar entre os finalistas demonstra o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela empresa e por seus colaboradores. "Esse é um prêmio que não tem um ganhador. Todos aqui são vitoriosos", afirmou, ao destacar os desafios enfrentados diariamente por quem empreende.
A votação para a escolha do Empresário do Ano já está aberta aos associados da AEFW. O resultado será conhecido durante a cerimônia de premiação, marcada para 6 de novembro. Além de Vinícius De Marchi e Ivar Peron, o empresário Marcel Vendruscolo, da Grametal Agroindustrial, também está entre os cinco finalistas. Ele estava previsto para participar da entrevista, mas não pôde comparecer por motivos pessoais.
Publicado originalmente por Jornal O Alto Uruguai. Ler na fonte original ↗